Como ter uma mente produtiva

Nos últimos tempos, ando obcecado por produtividade.

São tantas histórias que eu tenho vontade de escrever, mas sempre acabo tendo que escolher, porque o processo, muitas vezes demorado, me limita a produzir poucas histórias.

Mas então lembro dos vários escritores prolíficos que existiram e ainda existem por aí. Autores que conseguem produzir vários livros por ano, usando vários pseudônimos ou simplesmente não se importando com o que pensam sobre esse ritmo de produção. É que existe muita gente no mercado editorial que torce o nariz para autores que publicam demais, dizendo que não é bom para a carreira e que perdem em qualidade. Na verdade, o que eu acredito é que o processo não sai prejudicado, a diferença é que os autores prolíficos simplesmente não perdem tempo e produzem constantemente.

Se fizermos uma conta rápida e imaginar que um livro, em média, tem 70 mil palavras e uma pessoa é capaz de escrever tranquilamente 1000 palavras por dia (isso é bem tranquilo mesmo), pode-se produzir um livro a cada 70 dias. O que dá 5 livros em um ano.

(É claro que tem a fase de reescrita, edição e revisão, mas também devemos levar em consideração que um escritor pode ir além das 1000 palavras por dia.)

Analisando friamente o trabalho necessário, chegamos a conclusão que é possível produzir bem mais do que um livro por ano. E, produzindo mais, melhora-se o processo, já que quanto mais você escreve, melhor e mais rápido você fica.

Porém, a grande verdade é que o ato de escrever não é o problema, o difícil é se comprometer com um tempo para escrever.  O grande desafio é: como usar o tempo que tenho de sobra para escrever?

Portanto, eu estou agora em busca de uma rotina e um hábito de escrita para aumentar minha produtividade. Tenho testando diversos métodos e formas diferentes de encarar o trabalho.

O nosso cérebro é uma máquina poderosa, tanto para o bem, como para o mal. Basta observar que, se queremos arrumar desculpas para não fazer alguma coisa, pronto, temos milhares de justificativas. Nossos pensamentos arrumam todos os motivos e razões para não fazer nada. Portanto, podemos usar essa mesma capacidade do cérebro para produzir mais.

Descobri que não posso deixar meu cérebro achar que eu deveria estar fazendo outra coisa ao invés de escrever. Não posso deixar que ele pense que aquilo que eu pretendo fazer não precisa ser feito naquele momento e pode ser deixado para depois.

Se conseguimos criar desculpas, conseguimos criar motivação. E assim eu aprendi alguns truques para fazer minha mente ter disposição e não me sabotar.

Criar pequenas recompensas

Às vezes eu sinto vontade de fazer outra coisa ou simplesmente, parar e comer chocolate. Então eu penso que para merecer aquele descanso ou aquele chocolate, eu preciso escrever pelo menos 1000 palavras ou escrever por pelo menos uma hora. (Eu sei que parece meio infantil, mas lembre-se que fomos treinados dessa forma desde que nascemos, então faz sentido). Após eu escrever meu texto ou cumprir determinado tempo, eu recebo minha recompensa.

Criar intervalos

Eu divido o tempo entre trabalho e prazer. Além do intervalo funcionar como recompensa, temos outro truque que é a quebra da tarefa. Muitas vezes acreditamos que a tarefa será muito trabalhosa e já desistimos dela, apenas por vislumbrar um desafio muito grande que achamos que não iremos conseguir. Por exemplo: escrever por duas horas no dia. Começamos a achar que não vamos conseguir trabalhar por duas horas seguidas e seremos interrompidos, então nem vale a pena começar, etc, etc. Mas então, quando fracionamos esse tempo em 4 blocos de meia hora, com intervalos de lazer entre eles, fazemos tudo mais facilmente.

Pequenas doses, grandes mudanças

Para os momentos de maior grau de procrastinação, eu engano o meu cérebro com pequenas doses. Pense assim: “vou fazer apenas por cinco minutos”. E faça apenas por cinco minutos. Se você sentir vontade de parar depois do cinco minutos, pare. Mais tarde, faça apenas mais cinco minutos, novamente. Mas caso você sinta vontade de continuar, continue. Você vai perceber que, em muitos casos, o problema era começar. Uma vez que você já colocou seu corpo e sua mente naquele trabalho, você acaba embalando e não para (lei da inércia). Essa tática do “apenas 5 minutos” é uma grande forma de começar a criar hábito, que é o truque mais importante.

CRIE HÁBITOS

Hábito é o mais importante para a produtividade. Não tente apenas fazer uma vez, esperar uns dias, fazer de novo. Tente começar uma rotina diária. Mesmo que seja uma sessão de 5 minutos por dia, faça todos os dias, por pelo menos 3 semanas. Um hábito é criado após 21 dias de repetição. Então, não desista nesses primeiros dias. Eles são importantes para criar uma rotina. Você vai perceber que, depois de criada a rotina, fica mais fácil melhorá-la ou criar uma nova.

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Leituras 2016 – #2 – Count Zero

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William Gibson é um autor bastante cultuado. E o principal motivo é o fato dele ter criado o gênero cyberpunk. Além disso, Gibson criou, ainda na década de 80, vários termos usados em ficção científica que mais tarde foram utilizados de verdade. Foi ele, por exemplo, que criou o termo “cyberspace”. Também criou a ideia da Matrix, que consiste em mundo virtual acessado por hackers, que ele chamava de cowboys.

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Tudo isso começou com um conto chamado “Burning Chrome” (que eu não li), mas que conta a história de dois hackers que querem impressionar uma garota. Em seguida veio o conto “Johnny Minemonic” (esse eu li na década de noventa na época que foi lançado o filme com Keanu Reeves), que conta a história de um cara que foi modificado cirurgicamente e recebeu uma unidade de memória em sua cabeça e ele trabalha guardando informações sigilosas para pessoas e grandes corporações que não podem mais confiar no cyberspaço.

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Em “Burning Chrome”, Gibson criou o Sprawl, uma megacidade que vai de Boston a Atlanta. Em “Johnny Minemonic”, Gibson nos apresenta a personagem Molly Millions.

 

Esses dois elementos são a base inicial para a Trilogia Sprawl, composta de três livros:

 

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Neuromancer

Count Zero

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No final do ano passado eu li o Neuromancer e, agora, eu li o Count Zero.

Count Zero se passa 7 anos depois de Neuromancer, mas não tem uma ligação muito direta com os personagens e nem uma continuidade com a trama. Molly e Case, personagens centrais de Neuromancer são apenas citados em um momento do livro.

O tema central do livro gira em torno inteligências artificiais vivendo dentro da Matrix e são consideradas, às vezes, como deuses. É composto de três narrativas que apenas se encontram apenas na parte final do livro.

A primeira delas conta a história do Count Zero, apelido de Bobby Newmark, um hacker sem experiência, que testa um programa ilegal (uma espécie de droga virtual) que é dado a ele para acessar a Matrix. Count Zero quase morre, mas é salvo por uma imagem de uma moça que aparece para ele no cyberspaço.

A segunda conta a história de Turner, um mercenário que foi contratado para retirar um cientista de uma grande corporação. No mundo criado por Gibson, os empregados de uma empresa não podem mudar para uma empresa rival, ao menos que sejam resgatados por um mercenário. Turner acaba não conseguindo resgatar o cientista, mas sim a filha dele, que tem a capacidade de acessar a Matrix sem fazer uso de equipamento.

A terceira linha narrativa conta a história de Marly, uma especialista em arte e dona de galeria que é procurada por um homem chamado Virek para encontrar para ele o fabricante de umas pequenas caixas que estão relacionadas com biosoft.

 

Minhas impressões como leitor e escritor:

É fantástico ver como William Gibson criou toda essa linguagem em uma época onde não se tinha nenhuma referência sobre computação e redes como temos hoje. Além disso, ele criou um gênero totalmente novo, o cyberpunk e ditou a linguagem que muitos usam até o momento. A capacidade criativa dele deve ser respeitada por isso.

Porém, na minha opinião, a leitura é bem complexa. Eu achei o Count Zero um pouco mais fácil de ler e acompanhar do que o Neuromancer, apesar da quebra entre as três narrativas acabar contribuindo ainda mais para o entendimento.

Acho que Wiliam Gibson coloca muita informação nova de uma única vez e não contribui com descrições. Muitas vezes eu fiquei perdido, tentando entender onde os personagens estavam em determinada cena.

Count Zero é um daqueles livros que algumas vezes você tem que voltar algumas páginas para retomar o entendimento ou se situar novamente. Gibson não se preocupa muito em explicar detalhes sobre o universo criado por ele. Com o tempo é que as coisas passam a fazer mais sentido.

Eu não gosto quando em livros de ficção científica o autor faz grandes intervalos explicativos, tentando deixar claro para nós algo do universo criado, sendo que os personagens já estão familiarizados com isso. Mas Gibson não se preocupa em explicar quase nada dos novos termos que ele criou ou sobre como funciona as coisas no Sprawl. Até mesmo por isso os livros lançados pela editora Aleph vem com um glossário no final, explicando alguns termos e alguns conceitos.

Apesar de tudo isso, continua valendo muito a pena ler esse livro e a trilogia em si.

Mais uma vez, reforço que as coisas que William Gibson criou são fantásticas. Uma mente brilhante que é capaz de te surpreender, mesmo que você já tenha lido ou visto muito filme de ficção científica.

 

NaNoWriMo – A história da minha história

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Hoje eu acabei de escrever minha história no NaNoWriMo 2015.

Como contei nos posts anteriores, fiz questão de começar com uma ideia que eu sabia muito pouco e me comprometi a escrever todos os dias. E, no final das contas, as duas coisas me ajudaram a aprender muito (como também já falei nos posts anteriores).

Agora que terminei posso contar um pouco de como foi a evolução do processo todo.

Eu comecei com uma premissa bem aberta e sem muitos detalhes. A única coisa que eu tinha era o que eu escrevi na sinopse do livro no meu perfil do Nano e vou resumir aqui:

 

“Um dia, Teresa desapareceu e deixou sua família sem saber o que aconteceu.

Não deixou nenhum bilhete. Nunca ligou, nem escreveu.

A família aprendeu a viver sem Teresa.

Seu pai acreditava que a filha tinha sido sequestrada. Sua mãe achava que ela tinha sido assassinada e a irmã mais velha achava que ela tinha simplesmente fugido de casa, com algum namorado ou homem mais velho, casado.

Quase dois anos depois, eram raros os momentos em que se falava em Teresa.

Até que um dia, o que a família de Teresa menos esperava aconteceu.

Um dia ela voltou.”

 

Eu comecei a escrever com base nesses três personagens principais. Escolhi escrever em terceira pessoa, porque eu não queria apenas um lado da história. Achava que o interessante seria ver como cada um lidou com o fato e como iria agir depois do retorno de Teresa.

Tentei não pensar muito no que aconteceu com Teresa. Fui apenas criando situações para reforçar o sentimento de cada um dos membros da família.

Por causa disso, algumas coisas foram saindo diferente da própria sinopse.

A irmã deixou de ser mais velha e acabou sendo irmã gêmea de Teresa. Achei que isso reforçava ainda mais a questão psicológica da trama. Os pais tinham duas filhas e acabaram ficando apenas com uma por um tempo. Como isso afetava eles? E como afetava a própria irmã que ficou sozinha? Isso tudo me parecia mais interessante.

Como vocês podem ver, eu fico sempre muito aberto a mudanças que a história pode sofrer e não me importo que tenha que alterar praticamente tudo que escrevi antes.

Quando eu já estava com mais de 25 mil palavras escritas, comecei a achar que a história em si estava perdendo força. Desde o início eu não tinha certeza se eu queria descobrir o que aconteceu com Teresa, mas nesse ponto comecei a sentir essa necessidade. O problema é que não tinha ainda escrito muita coisa sobre esse lado da história.

Foi então que, mais uma vez, abri mão de certos detalhes iniciais e criei outros personagens e outras situações que mostravam melhor o que deveria ter acontecido com Teresa.

Quando cheguei a 35 mil palavras, ainda não estava bem certo do plot todo, mas continuei escrevendo e ajustando os detalhes.

Eu escrevia todos os dias, logo nas primeiras horas do dia. A noite, quando ia deitar, voltava a pensar na história e no que iria escrever no dia seguinte, aproveitando para pensar um pouco nos problemas dos personagens e na trama que precisava resolver.

Na noite em que que eu estava com mais ou menos 35 mil palavras, eu consegui resolver todos os pontos principais da história e organizar todas as cenas que precisava para terminar.

No dia seguinte, comecei criando todas as cenas que precisava, anotando uma frase que dizia o ponto chave de cada cena. Então, seria apenas uma questão de tempo para escrever as palavras que faltavam.

Nesse ponto, surgiu uma vontade enorme de apenas fazer um resumo de cada cena e parar, afinal eu já sabia que teria que reescrever a história toda para incluir personagens e cenas que foram criados mais tarde. Mas como eu queria ser um dos vencedores do NaNoWriMo, me forcei a continuar escrevendo do mesmo jeito que vinha fazendo.

Então aprendi (ou relembrei) a lição mais importante do NaNo: só dá para saber se a história vai funcionar quando ela está escrita.

Mesmo tendo a cenas finais todas definidas na minha cabeça, quando fui escrever ainda tive que mudar alguns detalhes da história que não faziam sentido e percebi que tinha cenas que não precisavam e outras que estavam faltando.

E terminei o NaNo relembrando da regra máxima da escrita.

Só tem um jeito de escrever um livro: escrevendo.

 

Na metade do NaNoWriMo, eu vi a luz (no fim do túnel)

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Ao chegar no 15º dia do NaNo, aprendi que essa maratona toda tem me ajudado a encontrar meu próprio processo.

Como eu estou conseguindo manter meu objetivo pessoal de escrever todos os dias, o número de palavras não é tanto a questão principal. O mais importante continua sendo a história em si.

(Aqui vale um desabafo: já estamos na metade do NaNoWriMo e vejo pessoas ainda achando que isso é uma competição para saber quem consegue escrever 50 mil palavras.)

O grande aprendizado para mim nesses primeiros 15 dias foi: continue escrevendo que a história irá acontecer.

Em certos momentos, principalmente no começo da segunda semana, eu comecei a ter dúvidas sobre a minha história. Comecei a achar que eu nunca iria conseguir resolver o plot, nem com 100 mil palavras.

Meu método consiste em ir escrevendo como se estivesse abrindo caminhos diferentes e possíveis. Porém, muitas vezes, esses caminhos parecem que nunca vão se encontrar em algum lugar. São possibilidades que eu vou criando para os personagens, mas que, em determinado momento, acho que estão indo para lugares muito distantes.

Mesmo assim, continuei escrevendo.

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Certos dias eu cheguei a duvidar que apenas seguir escrevendo daria certo. Senti vontade de já reler e reestruturar tudo. Mas então percebi que o lado bom de escrever todos os dias é que a história e os personagens não saem da minha cabeça. E no subconsciente as coisas vão sendo trabalhadas também. Comecei a descrever o passado dos meus personagens, criei fatos novos e até novos personagens, que acabaram sendo muito importantes para resolver a trama toda.

Outra coisa importante: eu sabia que esses novos detalhes estavam alterando muita coisa do que eu escrevi no começo, mas não voltei para consertar. Fui colocando anotações ao lado obre o que aquela cena impactava na fase inicial, para me ajudar no processo de reescrita.

Fui fazendo anotações mais ou menos assim:

– Essa cena precisa acontecer antes na história, logo no começo do livro.

– Esse lugar passou a ser importante para a história, tenho que usar ele em outras cenas.

– Esse personagem precisa ser introduzido antes (principalmente um personagem importante que só passou a existir quando eu já tinha escrito metade das 50 mil palavras).

Mas o mais importante foi que esse processo me relembrou que não posso me apegar ao início.

Se eu tivesse ficado preocupado demais com o que eu escrevi no começo, achando que estava ruim, talvez eu desistisse, porque aquilo realmente não estava fazendo sentido (ainda).

Por outro lado, se eu tivesse tentando escrever tudo perfeito no início, voltando para revisar e escrever melhor cada parágrafo, talvez eu não tivesse coragem de mudar completamente de ideia e eu nunca teria conseguido resolver o plot.

Ainda tenho um longo caminho até o final, mas agora eu já sei onde os caminhos vão se encontrar lá na frente. Ainda posso mudar muitas coisas, mas estou bem mais satisfeito com tudo.

NaNoWriMo – Primeiros Dias, Primeiras Lições

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Como eu disse no meu último post, esse ano eu estou participando oficialmente do NaNoWriMo e posso dizer que, até agora, está indo tudo como esperado.

O mais desafiador para mim está sendo escrever todos os dias. Não que seja obrigatório, mas eu coloquei esse como um objetivo pessoal. Geralmente eu tiro alguns dias de folga da escrita, mas para o NaNo estou me forçando a seguir uma rotina.

Essa é a primeira das 4 lições que aprendi nesses primeiros dias.

Lição 1: desenvolver o hábito de escrever

Descobri que, para mim, o mais importante é a frequência.

Descobri que não é tão difícil escrever 4 ou 5 mil palavras em um dia. O difícil mesmo é escrever todo dia, mesmo que seja 1000 palavras.

Lição 2: confie no tempo e no número de palavras

Eu comecei a escrever sem saber quase nada da minha história. Ainda não sabia a trama e nem conhecia os personagens. Simplesmente comecei a escrever. E o mais incrível é que as coisas vão acontecendo. Agora, paro para pensar e lembro que no dia 1º de novembro eu não tinha nada e agora eu tenho uma história. E estou apenas no sexto dia. Muita coisa ainda pode acontecer. E essa é grande vantagem de tudo isso. No final terei algo para trabalhar em cima. Antes eu não tinha absolutamente nada.

Lição 3: não volte no que escreveu antes de acabar

Essa é uma dica muito reforçada no NaNo, mas sempre é bom lembrar durante o processo. Eu escrevo o primeiro draft para descobrir a história e sei que depois vou reescrevê-la. Nesse momento não me interessa se ela tem furos ou se um personagem mudou de profissão no meio do caminho. Se eu ficar voltando sempre para ajustar detalhes vou acabar me perdendo, até mesmo porque até chegar nas últimas palavras, sempre vou ter acrescentado coisas que podem mudar o início.

Lição 4: o NaNo é um estímulo, não o objetivo final

Acho que o mais importante é lembrar sempre que o NaNo é uma forma de fazer você colocar uma ideia no papel.

Toda a questão de número de palavras por dia, número de dias para terminar é uma forma de te motivar, mas acaba te incentivando a querer simplesmente alcançar a meta. Quando nos damos conta, estamos mais preocupados com o número de palavras do que com os personagens ou com a trama.

O NaNo usa uma excelente estratégia de jogo para te impulsionar, mas não se esqueça de que o seu verdadeiro objetivo não é ter 50 mil palavras e sim ter uma história escrita até o fim.

Nos próximos 24 dias muita coisa vai acontecer, na minha história e no processo todo.

O negócio é continuar escrevendo.

Participando do NaNoWriMo 2015

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O NaNoWriMo é um projeto criativo idealizado por Chris Baty, em 1999, para estimular as pessoas a escreverem livros. O nome é a abreviação de National Novel Writing Month (Mês Nacional de Escrever Livros) e basicamente explica o projeto: cada participante tem o objetivo de escrever, em um mês, a primeira versão de um livro, com mais de 50 mil palavras.

A primeira edição foi realizada no mês de julho, mas já na segunda edição passou a ser em novembro, por uma decisão baseada no clima no hemisfério norte, já que, segundo Baty, as pessoas estão mais propensas a ficar em casa e também não serão interrompidas pelos feriados de final de ano.  Talvez precisássemos adaptar a lógica para o Hemisfério sul e escolher um mês do nosso inverno, mas o que vale é o oficial, então novembro é o mês para se sentar e escrever.

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Eu tomei conhecimento do NaNoWriMo pelo livro que Chris Baty escreveu sobre o assunto: Not Plot? No Problem.

Na primeira metade do seu livro Baty conta como surgiu a ideia e as vantagens de escrever o primeiro draft de maneira muito rápida, sem pensar muito na história. O importante é ter um prazo e escrever sempre. No livro, ele inclusive recomenda que os participantes comecem sem planejamento algum. Quanto menos souber, melhor. Por isso o nome do livro.

Na segunda metade, Chris Baty faz uma guia diário/semanal da participação em um NaNoWriMo, então, quem tem vontade participar do evento, vale muito a pena.

Apesar de ter lido o livro, eu ainda não consegui participar. Sempre tinha alguma coisa acontecendo em novembro que eu sabia que iria me complicar para participar (claro que a maioria eram desculpas que eu inventei para mim mesmo, como sempre, óbvio). Mas, estimulado pelas ideias do livro, eu comecei a seguir o modelo e até fiz uma experiência e escrevi um primeiro draft em 30 dias, me forçando a escrever todos os dias (eu não segui a divisão baseada em todos os dias e escrevia mais nos finais de semana e menos no dia de semana por motivos de trabalho).

Na minha opinião, um dos grandes benefícios do projeto é justamente fazer você se obrigar a escrever todos os dias (ou quase todos os dias). Isso ajuda a criar um hábito. Depois que você se acostuma, não parece tão difícil escrever todos os dias um número grande de palavras.

Outro grande benefício é você desenvolver uma história até o final ou chegar perto dele, pelo menos. Às vezes não sabemos se uma história vale a pena e desistimos quando estamos no início, sem saber que depois ela pode tomar outros rumos e ficar muito melhor.

É evidente que você não terá um livro pronto quando completar as 50 mil palavras, mas você terá lago para trabalhar em cima e aprimorar. Esse também é uma das vantagens do projeto.

Claro que existem várias pessoas que criticam o NaNoWriMo, dizendo que produzir 50 mil palavras não significa produzir um livro. Mas, para mim, isso é muito óbvio. Por isso, acho que, apesar dos pontos negativos do NaNo, tudo que faça uma pessoa escrever mais merece crédito e respeito.

Então, fica apenas uma dica: se você acha que no final de novembro você terá um livro pronto, não participe. Isso não é verdade. Existe um longo trabalho pela frente. No próprio livro, Chris Baty afirma que depois dos 30 dias e das 50 mil palavras, o trabalho de reestruturar e reescrever ainda leva mais alguns meses. Ou seja, ele não está enganando ninguém. O problema é que algumas pessoas gostam de se enganar.

Esse ano eu decidi participar, então, no dia primeiro de novembro, começarei a escrever mais um livro. Eu tenho algumas ideias para algumas histórias e ainda não decidi qual delas vou usar para o projeto. Talvez eu siga mais uma vez a recomendação de Chris Baty e use a ideia que eu menos pensei a respeito. Assim vou descobrindo tudo sobre ela ao longo desses 30 dias.

Além de escrever a minha média de 1667 palavras por dia, vou tentar escrever alguns textos sobre o processo e publicar aqui. Espero conseguir tempo para tudo.

Boa sorte para todos que irão participar.

O principal argumento: conflito.

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Para mim, existem duas coisas bem distintas na hora de escrever um livro. O argumento para o livro e a história propriamente dita.

O argumento é o que acontece. É a ideia.

A história é como você conta o que acontece.

Você pode narrar eventos e cenas em uma ordem que não seja necessariamente na ordem que aconteceu. Você pode usar flashbacks, você pode começar no meio, voltar e depois ir para a frente até o final do livro. Você pode começar pelo final e contar como tudo chegou àquele ponto. Além de várias outras formas.

Contar uma história é entender como colocar os eventos em uma certa ordem, de forma que deixem a coisa toda mais interessante. Esse é o segredo dos bons contadores de história, afinal, dependendo da ordem dos eventos ele pode despertar a curiosidade do leitor ou deixar tudo muito sem graça. Pode fazer o leitor se empolgar ou se entediar.

O argumento é muito importante, pois é ele que geralmente faz as pessoas se interessarem por uma história. Mas a sequência de eventos é o que faz o leitor ir até o final e gostar, ou não, da história.

O argumento geralmente retrata uma luta do personagem. É o que coloca a história em movimento. O conflito, interno ou externo, que faz o protagonista tomar uma atitude.

Os eventos contarão como ele buscou resolver este conflito, transformando–se em uma pessoa diferente no final.

Não podemos esquecer que os eventos são importantes, mas eles precisam estar relacionados com essa busca por transformação do personagem. Não adianta ter vários eventos interessantes, em cenas incríveis, se eles não estiverem relacionados com o conflito do protagonista.

Uma história só vale a pena ser contada se os eventos que acontecem geram dificuldades para os personagens.

A história é a luta para enfrentar essa dificuldades.

A história não é o conjunto de eventos ou cenas. História é o conflito gerado.