Categoria: plot

Na metade do NaNoWriMo, eu vi a luz (no fim do túnel)

luz-fim-do-tunel

Ao chegar no 15º dia do NaNo, aprendi que essa maratona toda tem me ajudado a encontrar meu próprio processo.

Como eu estou conseguindo manter meu objetivo pessoal de escrever todos os dias, o número de palavras não é tanto a questão principal. O mais importante continua sendo a história em si.

(Aqui vale um desabafo: já estamos na metade do NaNoWriMo e vejo pessoas ainda achando que isso é uma competição para saber quem consegue escrever 50 mil palavras.)

O grande aprendizado para mim nesses primeiros 15 dias foi: continue escrevendo que a história irá acontecer.

Em certos momentos, principalmente no começo da segunda semana, eu comecei a ter dúvidas sobre a minha história. Comecei a achar que eu nunca iria conseguir resolver o plot, nem com 100 mil palavras.

Meu método consiste em ir escrevendo como se estivesse abrindo caminhos diferentes e possíveis. Porém, muitas vezes, esses caminhos parecem que nunca vão se encontrar em algum lugar. São possibilidades que eu vou criando para os personagens, mas que, em determinado momento, acho que estão indo para lugares muito distantes.

Mesmo assim, continuei escrevendo.

3761386

Certos dias eu cheguei a duvidar que apenas seguir escrevendo daria certo. Senti vontade de já reler e reestruturar tudo. Mas então percebi que o lado bom de escrever todos os dias é que a história e os personagens não saem da minha cabeça. E no subconsciente as coisas vão sendo trabalhadas também. Comecei a descrever o passado dos meus personagens, criei fatos novos e até novos personagens, que acabaram sendo muito importantes para resolver a trama toda.

Outra coisa importante: eu sabia que esses novos detalhes estavam alterando muita coisa do que eu escrevi no começo, mas não voltei para consertar. Fui colocando anotações ao lado obre o que aquela cena impactava na fase inicial, para me ajudar no processo de reescrita.

Fui fazendo anotações mais ou menos assim:

– Essa cena precisa acontecer antes na história, logo no começo do livro.

– Esse lugar passou a ser importante para a história, tenho que usar ele em outras cenas.

– Esse personagem precisa ser introduzido antes (principalmente um personagem importante que só passou a existir quando eu já tinha escrito metade das 50 mil palavras).

Mas o mais importante foi que esse processo me relembrou que não posso me apegar ao início.

Se eu tivesse ficado preocupado demais com o que eu escrevi no começo, achando que estava ruim, talvez eu desistisse, porque aquilo realmente não estava fazendo sentido (ainda).

Por outro lado, se eu tivesse tentando escrever tudo perfeito no início, voltando para revisar e escrever melhor cada parágrafo, talvez eu não tivesse coragem de mudar completamente de ideia e eu nunca teria conseguido resolver o plot.

Ainda tenho um longo caminho até o final, mas agora eu já sei onde os caminhos vão se encontrar lá na frente. Ainda posso mudar muitas coisas, mas estou bem mais satisfeito com tudo.

Anúncios

O principal argumento: conflito.

frey

Para mim, existem duas coisas bem distintas na hora de escrever um livro. O argumento para o livro e a história propriamente dita.

O argumento é o que acontece. É a ideia.

A história é como você conta o que acontece.

Você pode narrar eventos e cenas em uma ordem que não seja necessariamente na ordem que aconteceu. Você pode usar flashbacks, você pode começar no meio, voltar e depois ir para a frente até o final do livro. Você pode começar pelo final e contar como tudo chegou àquele ponto. Além de várias outras formas.

Contar uma história é entender como colocar os eventos em uma certa ordem, de forma que deixem a coisa toda mais interessante. Esse é o segredo dos bons contadores de história, afinal, dependendo da ordem dos eventos ele pode despertar a curiosidade do leitor ou deixar tudo muito sem graça. Pode fazer o leitor se empolgar ou se entediar.

O argumento é muito importante, pois é ele que geralmente faz as pessoas se interessarem por uma história. Mas a sequência de eventos é o que faz o leitor ir até o final e gostar, ou não, da história.

O argumento geralmente retrata uma luta do personagem. É o que coloca a história em movimento. O conflito, interno ou externo, que faz o protagonista tomar uma atitude.

Os eventos contarão como ele buscou resolver este conflito, transformando–se em uma pessoa diferente no final.

Não podemos esquecer que os eventos são importantes, mas eles precisam estar relacionados com essa busca por transformação do personagem. Não adianta ter vários eventos interessantes, em cenas incríveis, se eles não estiverem relacionados com o conflito do protagonista.

Uma história só vale a pena ser contada se os eventos que acontecem geram dificuldades para os personagens.

A história é a luta para enfrentar essa dificuldades.

A história não é o conjunto de eventos ou cenas. História é o conflito gerado.