Categoria: estrutura

Fórmula ou Método para escrever

Diagrama da Jornada do Herói

Recentemente eu estava lendo vários textos sobre a Jornada do Herói e a estrutura em três atos. Como essa matéria aqui, de onde eu tirei esse diagrama do post.

Mas, ontem, eu comecei a ler um livro em que o autor defende que a estrutura em 3 atos é uma fórmula e, como toda boa fórmula, produz sempre o mesmo resultado. O autor então defende o uso de um método, que ele criou.

O método é interessante, pois coloca uma atenção não apenas no protagonista, mas também nos cenários, nos objetos, nas simbologias, nas tramas secundárias e também nos personagens coadjuvantes.

Ainda não terminei de ver todo o método, mas me parece interessante. Mesmo que não use da forma que está descrito no livro, com certeza vale como referência para construir histórias melhores.

Anúncios

O principal argumento: conflito.

frey

Para mim, existem duas coisas bem distintas na hora de escrever um livro. O argumento para o livro e a história propriamente dita.

O argumento é o que acontece. É a ideia.

A história é como você conta o que acontece.

Você pode narrar eventos e cenas em uma ordem que não seja necessariamente na ordem que aconteceu. Você pode usar flashbacks, você pode começar no meio, voltar e depois ir para a frente até o final do livro. Você pode começar pelo final e contar como tudo chegou àquele ponto. Além de várias outras formas.

Contar uma história é entender como colocar os eventos em uma certa ordem, de forma que deixem a coisa toda mais interessante. Esse é o segredo dos bons contadores de história, afinal, dependendo da ordem dos eventos ele pode despertar a curiosidade do leitor ou deixar tudo muito sem graça. Pode fazer o leitor se empolgar ou se entediar.

O argumento é muito importante, pois é ele que geralmente faz as pessoas se interessarem por uma história. Mas a sequência de eventos é o que faz o leitor ir até o final e gostar, ou não, da história.

O argumento geralmente retrata uma luta do personagem. É o que coloca a história em movimento. O conflito, interno ou externo, que faz o protagonista tomar uma atitude.

Os eventos contarão como ele buscou resolver este conflito, transformando–se em uma pessoa diferente no final.

Não podemos esquecer que os eventos são importantes, mas eles precisam estar relacionados com essa busca por transformação do personagem. Não adianta ter vários eventos interessantes, em cenas incríveis, se eles não estiverem relacionados com o conflito do protagonista.

Uma história só vale a pena ser contada se os eventos que acontecem geram dificuldades para os personagens.

A história é a luta para enfrentar essa dificuldades.

A história não é o conjunto de eventos ou cenas. História é o conflito gerado.

Estrutura em 3 atos

3atos

Falando sobre planejar, ou não, a história antes de escrever (post anterior), fiquei pensando sobre a questão de estrutura. Porque no fundo é a estrutura que acaba sendo melhor trabalhada quando se planeja ou quando se reescreve.

Digo isso porque existem contadores de histórias natos. Aquelas pessoas que quando já pensam em uma história, já pensam no conflito do personagem, no dilema, na busca por superação, por uma queda no meio do caminho, na recuperação e na grande transformação no final.

Mas muitos de nós, simples mortais, só conseguimos pensar nisso com certa disciplina e planejamento. E é aí que entra a questão do outline.

Se eu escrevo um livro inteiro sem planejar, quando chego no final, tenho que voltar e ver se a estrutura está realmente interessante. Se tem os pontos principais que farão a história funcionar e as pessoas gostarem da minha história.

Fazendo um outline prévio, eu posso pensar em tudo isso antes de começar a escrever todas as cenas. Inclusive, posso incluir cenas que irão contar melhor determinada parte da história ou completar a estrutura em 3 ATOS da minha história.

A estrutura de 3 ATOS é basicamente representado por um diagrama em forma de W.

1º ATO:

Apresenta os personagens principais e o ambiente em que estão inseridos.

Geralmente o protagonista tem uma falsa crença sobre algo e logo é envolvido em um incidente que irá mudar sua vida e impulsionar a história. Acontece um fato que irá fazer o protagonista chegar no primeiro ponto sem volta.

Nesse ponto, ele é obrigado a tomar a uma atitude para resolver o conflito.

Sendo assim, devemos procurar iniciar uma história nesse fato, que faz tudo ser diferente. Um fato que mudou a vida do protagonista e o deixou com a missão de se transformar e solucionar o problema.

 

2º ATO:

Esse é o ato mais longo e onde a história se desenvolve.

É aqui que o protagonista vai agir. Ele vai aprender coisas novas sobre o seu problema e achar que pode conseguir superá–lo, mas na verdade ele vai descobrir que deixou o problema ainda pior.

É no segundo ato que aquele protagonista de um romance decide fazer as pazes com a sua amada e descobre que ela já encontrou outro ou descobriu um segredo dele ainda pior. Ou é nesse ato que o protagonista de um thriller consegue o dinheiro que precisava para ajudar o seu pai, mas descobre que a dívida ficou ainda maior. Ou ele recupera o emprego perdido, mas descobre que está sendo usado pelo seu chefe para um golpe que vai colocar ele na cadeia.

Deu para entender a lógica, não é? O protagonista tenta fazer a coisa certa e deixa as coisas piores. Até que ele chega no segundo ponto sem volta. Que é quando ele descobre o que realmente precisa ser feito, que é tudo ou nada. Descobre que precisa fazer o sacrifício final.

Na realidade, ele descobre que precisa se transformar para vencer todos os conflitos.

 

3º ATO:

O protagonista, já transformado, toma a atitude que precisava para enfrentar tudo e todos.

No final a transformação é evidente e o clímax é a solução do conflito.

 

Se você reparar, a maioria das histórias, seja em filme ou em livros, segue essa estrutura, com algumas variações de acordo com gênero e narrativa. Algumas vezes mais evidentes e outras mais sutis. Mas, quase sempre, a fórmula é essa. E, se planejar ou reescrever, quase sempre dá certo.