Categoria: escrever

Como ter uma mente produtiva

Nos últimos tempos, ando obcecado por produtividade.

São tantas histórias que eu tenho vontade de escrever, mas sempre acabo tendo que escolher, porque o processo, muitas vezes demorado, me limita a produzir poucas histórias.

Mas então lembro dos vários escritores prolíficos que existiram e ainda existem por aí. Autores que conseguem produzir vários livros por ano, usando vários pseudônimos ou simplesmente não se importando com o que pensam sobre esse ritmo de produção. É que existe muita gente no mercado editorial que torce o nariz para autores que publicam demais, dizendo que não é bom para a carreira e que perdem em qualidade. Na verdade, o que eu acredito é que o processo não sai prejudicado, a diferença é que os autores prolíficos simplesmente não perdem tempo e produzem constantemente.

Se fizermos uma conta rápida e imaginar que um livro, em média, tem 70 mil palavras e uma pessoa é capaz de escrever tranquilamente 1000 palavras por dia (isso é bem tranquilo mesmo), pode-se produzir um livro a cada 70 dias. O que dá 5 livros em um ano.

(É claro que tem a fase de reescrita, edição e revisão, mas também devemos levar em consideração que um escritor pode ir além das 1000 palavras por dia.)

Analisando friamente o trabalho necessário, chegamos a conclusão que é possível produzir bem mais do que um livro por ano. E, produzindo mais, melhora-se o processo, já que quanto mais você escreve, melhor e mais rápido você fica.

Porém, a grande verdade é que o ato de escrever não é o problema, o difícil é se comprometer com um tempo para escrever.  O grande desafio é: como usar o tempo que tenho de sobra para escrever?

Portanto, eu estou agora em busca de uma rotina e um hábito de escrita para aumentar minha produtividade. Tenho testando diversos métodos e formas diferentes de encarar o trabalho.

O nosso cérebro é uma máquina poderosa, tanto para o bem, como para o mal. Basta observar que, se queremos arrumar desculpas para não fazer alguma coisa, pronto, temos milhares de justificativas. Nossos pensamentos arrumam todos os motivos e razões para não fazer nada. Portanto, podemos usar essa mesma capacidade do cérebro para produzir mais.

Descobri que não posso deixar meu cérebro achar que eu deveria estar fazendo outra coisa ao invés de escrever. Não posso deixar que ele pense que aquilo que eu pretendo fazer não precisa ser feito naquele momento e pode ser deixado para depois.

Se conseguimos criar desculpas, conseguimos criar motivação. E assim eu aprendi alguns truques para fazer minha mente ter disposição e não me sabotar.

Criar pequenas recompensas

Às vezes eu sinto vontade de fazer outra coisa ou simplesmente, parar e comer chocolate. Então eu penso que para merecer aquele descanso ou aquele chocolate, eu preciso escrever pelo menos 1000 palavras ou escrever por pelo menos uma hora. (Eu sei que parece meio infantil, mas lembre-se que fomos treinados dessa forma desde que nascemos, então faz sentido). Após eu escrever meu texto ou cumprir determinado tempo, eu recebo minha recompensa.

Criar intervalos

Eu divido o tempo entre trabalho e prazer. Além do intervalo funcionar como recompensa, temos outro truque que é a quebra da tarefa. Muitas vezes acreditamos que a tarefa será muito trabalhosa e já desistimos dela, apenas por vislumbrar um desafio muito grande que achamos que não iremos conseguir. Por exemplo: escrever por duas horas no dia. Começamos a achar que não vamos conseguir trabalhar por duas horas seguidas e seremos interrompidos, então nem vale a pena começar, etc, etc. Mas então, quando fracionamos esse tempo em 4 blocos de meia hora, com intervalos de lazer entre eles, fazemos tudo mais facilmente.

Pequenas doses, grandes mudanças

Para os momentos de maior grau de procrastinação, eu engano o meu cérebro com pequenas doses. Pense assim: “vou fazer apenas por cinco minutos”. E faça apenas por cinco minutos. Se você sentir vontade de parar depois do cinco minutos, pare. Mais tarde, faça apenas mais cinco minutos, novamente. Mas caso você sinta vontade de continuar, continue. Você vai perceber que, em muitos casos, o problema era começar. Uma vez que você já colocou seu corpo e sua mente naquele trabalho, você acaba embalando e não para (lei da inércia). Essa tática do “apenas 5 minutos” é uma grande forma de começar a criar hábito, que é o truque mais importante.

CRIE HÁBITOS

Hábito é o mais importante para a produtividade. Não tente apenas fazer uma vez, esperar uns dias, fazer de novo. Tente começar uma rotina diária. Mesmo que seja uma sessão de 5 minutos por dia, faça todos os dias, por pelo menos 3 semanas. Um hábito é criado após 21 dias de repetição. Então, não desista nesses primeiros dias. Eles são importantes para criar uma rotina. Você vai perceber que, depois de criada a rotina, fica mais fácil melhorá-la ou criar uma nova.

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Gestão de Tempo vs. Procrastinação – 3 passos para produzir mais

ampulhetaEu tento escrever sempre, mas confesso que é um grande esforço me convencer a escrever no pouco tempo que tenho.

Meu cérebro simplesmente inventa qualquer tipo de desculpa para não escrever.

Refletindo sobre como isso acontece na minha cabeça, percebi que muito está relacionado com a minha percepção sobre o tempo. E, analisando especificamente o problema, identifiquei três motivos que me fazem desistir de fazer qualquer coisa.

 

– Nos acostumamos a blocos de tempo

Desde o momento que começamos a ter tarefas e horários para cumpri-las, nos acostumamos a certas quantidades de tempo.

Isso começa quando vamos para a escola e passamos a ter horário para começar e terminar nossas atividades. Geralmente, temos uma hora para cada aula e um intervalo. No trabalho, também vamos nos acostumando com horário para entrar, sair e cumprir certas obrigações.

A nossa vida deixa de ser contínua e passa ser fracionada. E, além disso, começamos a perceber os intervalos. Basta lembrar que quando faltava quinze minutos para terminar a aula, a professora já começava a olhar no relógio e deixar as coisas para o dia seguinte. No trabalho, aquele tempo antes de sair para o almoço e antes de encerrar o expediente passa a ser uma descompressão necessária.

A questão é começamos a nos preocupar sempre com o intervalo entre os blocos de tempo e acabamos desperdiçando minutos preciosos deixando de realizar tarefas.

 

– Não temos noção do tempo para realizar tarefas

Quanto você leva para arrumar seu quarto? Quanto tempo para lavar uma louça? Quanto tempo para escrever um e-mail?

Quando pensamos nessas atividades, geralmente atribuímos muito mais tempo do que é realmente necessário.

Quando eu penso que para escrever, ou fazer qualquer outra atividade, eu preciso criar uma janela de tempo grande na minha rotina, começo a limitar as minhas possibilidades.

 

– Nossa mente é programada para desistir

Ao pensar que precisamos de mais tempo do que o necessário e pensando em blocos de tempo de uma hora, damos motivos suficientes para o nosso cérebro achar que não é o momento de começar.

“Você não vai conseguir terminar em uma hora, então nem comece”, “espere para fazer quando tiver mais tempo”, “agora já está tarde, amanhã você pode começar mais cedo”, etc.

 

Depois de entender um pouco como a minha cabeça de procrastinador funciona (na maior parte do tempo), eu descobri algumas formas de enganá-la e defini 3 simples passos (mais um bônus):

 

1 – Valorize blocos de tempos menores

Eu comecei a pensar no meu dia em blocos de 15 minutos e não mais em horas. Acho que poderia ser 5 ou 10 ou 30, mas os 15 minutos é um tempo satisfatório para a maioria das atividades. (Semelhante à Técnica Pomodoro)

Para escrever, eu sempre achei que quinze minutos não me ajudariam em nada, mas no final das contas, rende muito. E se você pensar naqueles minutos de intervalo entre certas atividades, fica mais fácil conseguir encaixar um bloco de 15 minutos nesses momentos.

Eu, por exemplo, tenho o hábito de acordar cedo e, muitas vezes, estou na frente do computador antes das 9 da manhã. Antigamente, se eu abrisse o computador e já tivesse passado das 8h, eu apenas ficava matando tempo online, porque na minha cabeça, só valeria apena escrever se eu tivesse uma hora sobrando, no mínimo.

Agora, consigo encaixar pelo menos um bloco de 15 minutos antes de começar a trabalhar.

E claro que eu posso fazer dois ou três blocos seguidos, se tenho tempo, mas o importante é aceitar que 15 minutos são suficientes.

Lembre-se: melhor escrever 15 minutos sempre do que ficar esperando uma janela de uma ou duas horas em uma semana agitada.

 

2 – Perceba melhor o tempo

Comece a marcar o tempo para fazer as coisas. Perceba que você consegue fazer muita mais coisa que você imagina em um curto espaço de tempo.

Experimente meditar por 10 ou 15 minutos.

Essa é uma excelente forma de perceber o tempo e tirar proveito dele. Apenas sente e esvazie sua mente. Tente não pensar em nada durante fique tentando não pensar em nada durante o maior tempo que conseguir. Você irá perceber que dez minutos é muito tempo e, além disso, irá ver que a meditação é uma forma fantástica de eliminar a ansiedade, que é outro alimento que sua mente usa para criar desculpas para não fazer as coisas.

 

3 – Inclua momentos de recompensa

Uma forma de conseguir cumprir seus objetivos é receber prêmios por ter alcançado suas metas, portanto, inclua nos seus blocos de tempo algumas recompensas.

Por exemplo, desligue suas redes sociais e faça um trato de que só irá acessar novamente depois de cumprir mais um bloco de tempo.

Qualquer recompensa vale. São estímulos para fazer você mudar seu hábito e passar a encarar as suas atividades de uma forma mais natural. Depois de um tempo, os estímulos não serão mais tão necessários.

 

Bônus: atinja o objetivo o quanto antes

Uma coisa que motiva é o sentimento de dever cumprido. Quando você se coloca o desafio de fazer algo por pelo menos 15 minutos por dia, logo que você cumpre sua meta, você se sente muito mais confiante e poderoso.

A partir desse momento você encara tudo com mais coragem, animação e tranquilidade, afinal, o que tinha de ser feito já foi feito.

Portanto, para tirar o máximo proveito, tente cumprir seu objetivo o mais cedo possível. Fazendo isso, você garante uma sensação melhor durante todo o dia, mesmo que você não faça mais nada.

Mas o sentimento de dever cumprido também tira a pressão da sua mente e lhe dá mais disposição para fazer mais atividades.

Eu acordo bem cedo e tento atingir minha meta diária o mais rápido possível. Assim o dia torna-se ainda mais produtivo. E nos dias em que eu não aproveito as primeiras horas para cumprir minha meta, meu cérebro começa a entrar em modo de procrastinação e o dia acaba sendo ruim.

 

Para mim tem funcionado e espero que ajude quem tem problemas como eu para arrumar tempo e me motivar a escrever.

NaNoWriMo – A história da minha história

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Hoje eu acabei de escrever minha história no NaNoWriMo 2015.

Como contei nos posts anteriores, fiz questão de começar com uma ideia que eu sabia muito pouco e me comprometi a escrever todos os dias. E, no final das contas, as duas coisas me ajudaram a aprender muito (como também já falei nos posts anteriores).

Agora que terminei posso contar um pouco de como foi a evolução do processo todo.

Eu comecei com uma premissa bem aberta e sem muitos detalhes. A única coisa que eu tinha era o que eu escrevi na sinopse do livro no meu perfil do Nano e vou resumir aqui:

 

“Um dia, Teresa desapareceu e deixou sua família sem saber o que aconteceu.

Não deixou nenhum bilhete. Nunca ligou, nem escreveu.

A família aprendeu a viver sem Teresa.

Seu pai acreditava que a filha tinha sido sequestrada. Sua mãe achava que ela tinha sido assassinada e a irmã mais velha achava que ela tinha simplesmente fugido de casa, com algum namorado ou homem mais velho, casado.

Quase dois anos depois, eram raros os momentos em que se falava em Teresa.

Até que um dia, o que a família de Teresa menos esperava aconteceu.

Um dia ela voltou.”

 

Eu comecei a escrever com base nesses três personagens principais. Escolhi escrever em terceira pessoa, porque eu não queria apenas um lado da história. Achava que o interessante seria ver como cada um lidou com o fato e como iria agir depois do retorno de Teresa.

Tentei não pensar muito no que aconteceu com Teresa. Fui apenas criando situações para reforçar o sentimento de cada um dos membros da família.

Por causa disso, algumas coisas foram saindo diferente da própria sinopse.

A irmã deixou de ser mais velha e acabou sendo irmã gêmea de Teresa. Achei que isso reforçava ainda mais a questão psicológica da trama. Os pais tinham duas filhas e acabaram ficando apenas com uma por um tempo. Como isso afetava eles? E como afetava a própria irmã que ficou sozinha? Isso tudo me parecia mais interessante.

Como vocês podem ver, eu fico sempre muito aberto a mudanças que a história pode sofrer e não me importo que tenha que alterar praticamente tudo que escrevi antes.

Quando eu já estava com mais de 25 mil palavras escritas, comecei a achar que a história em si estava perdendo força. Desde o início eu não tinha certeza se eu queria descobrir o que aconteceu com Teresa, mas nesse ponto comecei a sentir essa necessidade. O problema é que não tinha ainda escrito muita coisa sobre esse lado da história.

Foi então que, mais uma vez, abri mão de certos detalhes iniciais e criei outros personagens e outras situações que mostravam melhor o que deveria ter acontecido com Teresa.

Quando cheguei a 35 mil palavras, ainda não estava bem certo do plot todo, mas continuei escrevendo e ajustando os detalhes.

Eu escrevia todos os dias, logo nas primeiras horas do dia. A noite, quando ia deitar, voltava a pensar na história e no que iria escrever no dia seguinte, aproveitando para pensar um pouco nos problemas dos personagens e na trama que precisava resolver.

Na noite em que que eu estava com mais ou menos 35 mil palavras, eu consegui resolver todos os pontos principais da história e organizar todas as cenas que precisava para terminar.

No dia seguinte, comecei criando todas as cenas que precisava, anotando uma frase que dizia o ponto chave de cada cena. Então, seria apenas uma questão de tempo para escrever as palavras que faltavam.

Nesse ponto, surgiu uma vontade enorme de apenas fazer um resumo de cada cena e parar, afinal eu já sabia que teria que reescrever a história toda para incluir personagens e cenas que foram criados mais tarde. Mas como eu queria ser um dos vencedores do NaNoWriMo, me forcei a continuar escrevendo do mesmo jeito que vinha fazendo.

Então aprendi (ou relembrei) a lição mais importante do NaNo: só dá para saber se a história vai funcionar quando ela está escrita.

Mesmo tendo a cenas finais todas definidas na minha cabeça, quando fui escrever ainda tive que mudar alguns detalhes da história que não faziam sentido e percebi que tinha cenas que não precisavam e outras que estavam faltando.

E terminei o NaNo relembrando da regra máxima da escrita.

Só tem um jeito de escrever um livro: escrevendo.

 

Na metade do NaNoWriMo, eu vi a luz (no fim do túnel)

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Ao chegar no 15º dia do NaNo, aprendi que essa maratona toda tem me ajudado a encontrar meu próprio processo.

Como eu estou conseguindo manter meu objetivo pessoal de escrever todos os dias, o número de palavras não é tanto a questão principal. O mais importante continua sendo a história em si.

(Aqui vale um desabafo: já estamos na metade do NaNoWriMo e vejo pessoas ainda achando que isso é uma competição para saber quem consegue escrever 50 mil palavras.)

O grande aprendizado para mim nesses primeiros 15 dias foi: continue escrevendo que a história irá acontecer.

Em certos momentos, principalmente no começo da segunda semana, eu comecei a ter dúvidas sobre a minha história. Comecei a achar que eu nunca iria conseguir resolver o plot, nem com 100 mil palavras.

Meu método consiste em ir escrevendo como se estivesse abrindo caminhos diferentes e possíveis. Porém, muitas vezes, esses caminhos parecem que nunca vão se encontrar em algum lugar. São possibilidades que eu vou criando para os personagens, mas que, em determinado momento, acho que estão indo para lugares muito distantes.

Mesmo assim, continuei escrevendo.

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Certos dias eu cheguei a duvidar que apenas seguir escrevendo daria certo. Senti vontade de já reler e reestruturar tudo. Mas então percebi que o lado bom de escrever todos os dias é que a história e os personagens não saem da minha cabeça. E no subconsciente as coisas vão sendo trabalhadas também. Comecei a descrever o passado dos meus personagens, criei fatos novos e até novos personagens, que acabaram sendo muito importantes para resolver a trama toda.

Outra coisa importante: eu sabia que esses novos detalhes estavam alterando muita coisa do que eu escrevi no começo, mas não voltei para consertar. Fui colocando anotações ao lado obre o que aquela cena impactava na fase inicial, para me ajudar no processo de reescrita.

Fui fazendo anotações mais ou menos assim:

– Essa cena precisa acontecer antes na história, logo no começo do livro.

– Esse lugar passou a ser importante para a história, tenho que usar ele em outras cenas.

– Esse personagem precisa ser introduzido antes (principalmente um personagem importante que só passou a existir quando eu já tinha escrito metade das 50 mil palavras).

Mas o mais importante foi que esse processo me relembrou que não posso me apegar ao início.

Se eu tivesse ficado preocupado demais com o que eu escrevi no começo, achando que estava ruim, talvez eu desistisse, porque aquilo realmente não estava fazendo sentido (ainda).

Por outro lado, se eu tivesse tentando escrever tudo perfeito no início, voltando para revisar e escrever melhor cada parágrafo, talvez eu não tivesse coragem de mudar completamente de ideia e eu nunca teria conseguido resolver o plot.

Ainda tenho um longo caminho até o final, mas agora eu já sei onde os caminhos vão se encontrar lá na frente. Ainda posso mudar muitas coisas, mas estou bem mais satisfeito com tudo.

NaNoWriMo – Primeiros Dias, Primeiras Lições

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Como eu disse no meu último post, esse ano eu estou participando oficialmente do NaNoWriMo e posso dizer que, até agora, está indo tudo como esperado.

O mais desafiador para mim está sendo escrever todos os dias. Não que seja obrigatório, mas eu coloquei esse como um objetivo pessoal. Geralmente eu tiro alguns dias de folga da escrita, mas para o NaNo estou me forçando a seguir uma rotina.

Essa é a primeira das 4 lições que aprendi nesses primeiros dias.

Lição 1: desenvolver o hábito de escrever

Descobri que, para mim, o mais importante é a frequência.

Descobri que não é tão difícil escrever 4 ou 5 mil palavras em um dia. O difícil mesmo é escrever todo dia, mesmo que seja 1000 palavras.

Lição 2: confie no tempo e no número de palavras

Eu comecei a escrever sem saber quase nada da minha história. Ainda não sabia a trama e nem conhecia os personagens. Simplesmente comecei a escrever. E o mais incrível é que as coisas vão acontecendo. Agora, paro para pensar e lembro que no dia 1º de novembro eu não tinha nada e agora eu tenho uma história. E estou apenas no sexto dia. Muita coisa ainda pode acontecer. E essa é grande vantagem de tudo isso. No final terei algo para trabalhar em cima. Antes eu não tinha absolutamente nada.

Lição 3: não volte no que escreveu antes de acabar

Essa é uma dica muito reforçada no NaNo, mas sempre é bom lembrar durante o processo. Eu escrevo o primeiro draft para descobrir a história e sei que depois vou reescrevê-la. Nesse momento não me interessa se ela tem furos ou se um personagem mudou de profissão no meio do caminho. Se eu ficar voltando sempre para ajustar detalhes vou acabar me perdendo, até mesmo porque até chegar nas últimas palavras, sempre vou ter acrescentado coisas que podem mudar o início.

Lição 4: o NaNo é um estímulo, não o objetivo final

Acho que o mais importante é lembrar sempre que o NaNo é uma forma de fazer você colocar uma ideia no papel.

Toda a questão de número de palavras por dia, número de dias para terminar é uma forma de te motivar, mas acaba te incentivando a querer simplesmente alcançar a meta. Quando nos damos conta, estamos mais preocupados com o número de palavras do que com os personagens ou com a trama.

O NaNo usa uma excelente estratégia de jogo para te impulsionar, mas não se esqueça de que o seu verdadeiro objetivo não é ter 50 mil palavras e sim ter uma história escrita até o fim.

Nos próximos 24 dias muita coisa vai acontecer, na minha história e no processo todo.

O negócio é continuar escrevendo.

Participando do NaNoWriMo 2015

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O NaNoWriMo é um projeto criativo idealizado por Chris Baty, em 1999, para estimular as pessoas a escreverem livros. O nome é a abreviação de National Novel Writing Month (Mês Nacional de Escrever Livros) e basicamente explica o projeto: cada participante tem o objetivo de escrever, em um mês, a primeira versão de um livro, com mais de 50 mil palavras.

A primeira edição foi realizada no mês de julho, mas já na segunda edição passou a ser em novembro, por uma decisão baseada no clima no hemisfério norte, já que, segundo Baty, as pessoas estão mais propensas a ficar em casa e também não serão interrompidas pelos feriados de final de ano.  Talvez precisássemos adaptar a lógica para o Hemisfério sul e escolher um mês do nosso inverno, mas o que vale é o oficial, então novembro é o mês para se sentar e escrever.

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Eu tomei conhecimento do NaNoWriMo pelo livro que Chris Baty escreveu sobre o assunto: Not Plot? No Problem.

Na primeira metade do seu livro Baty conta como surgiu a ideia e as vantagens de escrever o primeiro draft de maneira muito rápida, sem pensar muito na história. O importante é ter um prazo e escrever sempre. No livro, ele inclusive recomenda que os participantes comecem sem planejamento algum. Quanto menos souber, melhor. Por isso o nome do livro.

Na segunda metade, Chris Baty faz uma guia diário/semanal da participação em um NaNoWriMo, então, quem tem vontade participar do evento, vale muito a pena.

Apesar de ter lido o livro, eu ainda não consegui participar. Sempre tinha alguma coisa acontecendo em novembro que eu sabia que iria me complicar para participar (claro que a maioria eram desculpas que eu inventei para mim mesmo, como sempre, óbvio). Mas, estimulado pelas ideias do livro, eu comecei a seguir o modelo e até fiz uma experiência e escrevi um primeiro draft em 30 dias, me forçando a escrever todos os dias (eu não segui a divisão baseada em todos os dias e escrevia mais nos finais de semana e menos no dia de semana por motivos de trabalho).

Na minha opinião, um dos grandes benefícios do projeto é justamente fazer você se obrigar a escrever todos os dias (ou quase todos os dias). Isso ajuda a criar um hábito. Depois que você se acostuma, não parece tão difícil escrever todos os dias um número grande de palavras.

Outro grande benefício é você desenvolver uma história até o final ou chegar perto dele, pelo menos. Às vezes não sabemos se uma história vale a pena e desistimos quando estamos no início, sem saber que depois ela pode tomar outros rumos e ficar muito melhor.

É evidente que você não terá um livro pronto quando completar as 50 mil palavras, mas você terá lago para trabalhar em cima e aprimorar. Esse também é uma das vantagens do projeto.

Claro que existem várias pessoas que criticam o NaNoWriMo, dizendo que produzir 50 mil palavras não significa produzir um livro. Mas, para mim, isso é muito óbvio. Por isso, acho que, apesar dos pontos negativos do NaNo, tudo que faça uma pessoa escrever mais merece crédito e respeito.

Então, fica apenas uma dica: se você acha que no final de novembro você terá um livro pronto, não participe. Isso não é verdade. Existe um longo trabalho pela frente. No próprio livro, Chris Baty afirma que depois dos 30 dias e das 50 mil palavras, o trabalho de reestruturar e reescrever ainda leva mais alguns meses. Ou seja, ele não está enganando ninguém. O problema é que algumas pessoas gostam de se enganar.

Esse ano eu decidi participar, então, no dia primeiro de novembro, começarei a escrever mais um livro. Eu tenho algumas ideias para algumas histórias e ainda não decidi qual delas vou usar para o projeto. Talvez eu siga mais uma vez a recomendação de Chris Baty e use a ideia que eu menos pensei a respeito. Assim vou descobrindo tudo sobre ela ao longo desses 30 dias.

Além de escrever a minha média de 1667 palavras por dia, vou tentar escrever alguns textos sobre o processo e publicar aqui. Espero conseguir tempo para tudo.

Boa sorte para todos que irão participar.

Jo Nesbø, o Boneco de Neve e a Pesquisa

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Recentemente eu li o livro Boneco de Neve, do norueguês Jo Nesbø. Que na verdade é o sétimo livro da série policial que tem Harry Hole como protagonista.

Não vou copiar aqui a sinopse e nem fazer uma resenha. Já existem várias na internet. Uma que achei boa é a do blog Psychobooks.

Já tinha lido algumas críticas aos vários clichês de literatura policial que o autor usa, mas não acho que seja algo que atrapalhe. Policial com vícios e problema de relacionamento existem vários mesmo, mas o que prevalece é a trama toda. E acho que o Jo Nesbø constrói muito bem a história e o mistério.

O ponto que me incomodou um pouco e gostaria de comentar é a pesquisa toda que o autor fez e acabou usando na sua obra.

Em vários momentos do livro, Jo Nesbø acabou exagerando ao colocar pesquisa na narrativa. É claro que toda a informação médica sobre a doença que envolve os personagens é importante para a trama e foi bem usada (apesar de eu ainda sentir um pouco forçado em alguns momentos ). Mas certas informações acabam sendo tão desnecessária que acabam nos tirando da história e nos colocando em uma palestra.

Apenas um exemplo para não estragar a leitura de ninguém: a informação de quem foi o inventor da bomba de gás lacrimogênio, além de detalhes do seu funcionamento.

Por que o Jo Nesbø achou que a gente precisava saber disso?

Para mim, esse tipo de informação que não acrescenta nada à história ou ao personagem, acaba quebrando o ritmo da obra.

Acredito que alguns autores, depois que tanto pesquisar sobre os assuntos que estarão dentro dos seus livros, sentem a necessidade de usar todo o conteúdo que achou interessante. E, na verdade, temos que saber o que relamente é importante para a história e nos desapegar de detalhes que, por mais curiosos e interessantes que possamos acha-los, não ficarão interessantes naquele momento da narrativa.

MAs, independente desses exageros de informações (e descrições como a Mari e a Alba do Psychobooks colocaram muito bem), Boneco de Neve continua sendo uma boa indicação para quem gosta de um bom livro policial.