Como ter uma mente produtiva

Nos últimos tempos, ando obcecado por produtividade.

São tantas histórias que eu tenho vontade de escrever, mas sempre acabo tendo que escolher, porque o processo, muitas vezes demorado, me limita a produzir poucas histórias.

Mas então lembro dos vários escritores prolíficos que existiram e ainda existem por aí. Autores que conseguem produzir vários livros por ano, usando vários pseudônimos ou simplesmente não se importando com o que pensam sobre esse ritmo de produção. É que existe muita gente no mercado editorial que torce o nariz para autores que publicam demais, dizendo que não é bom para a carreira e que perdem em qualidade. Na verdade, o que eu acredito é que o processo não sai prejudicado, a diferença é que os autores prolíficos simplesmente não perdem tempo e produzem constantemente.

Se fizermos uma conta rápida e imaginar que um livro, em média, tem 70 mil palavras e uma pessoa é capaz de escrever tranquilamente 1000 palavras por dia (isso é bem tranquilo mesmo), pode-se produzir um livro a cada 70 dias. O que dá 5 livros em um ano.

(É claro que tem a fase de reescrita, edição e revisão, mas também devemos levar em consideração que um escritor pode ir além das 1000 palavras por dia.)

Analisando friamente o trabalho necessário, chegamos a conclusão que é possível produzir bem mais do que um livro por ano. E, produzindo mais, melhora-se o processo, já que quanto mais você escreve, melhor e mais rápido você fica.

Porém, a grande verdade é que o ato de escrever não é o problema, o difícil é se comprometer com um tempo para escrever.  O grande desafio é: como usar o tempo que tenho de sobra para escrever?

Portanto, eu estou agora em busca de uma rotina e um hábito de escrita para aumentar minha produtividade. Tenho testando diversos métodos e formas diferentes de encarar o trabalho.

O nosso cérebro é uma máquina poderosa, tanto para o bem, como para o mal. Basta observar que, se queremos arrumar desculpas para não fazer alguma coisa, pronto, temos milhares de justificativas. Nossos pensamentos arrumam todos os motivos e razões para não fazer nada. Portanto, podemos usar essa mesma capacidade do cérebro para produzir mais.

Descobri que não posso deixar meu cérebro achar que eu deveria estar fazendo outra coisa ao invés de escrever. Não posso deixar que ele pense que aquilo que eu pretendo fazer não precisa ser feito naquele momento e pode ser deixado para depois.

Se conseguimos criar desculpas, conseguimos criar motivação. E assim eu aprendi alguns truques para fazer minha mente ter disposição e não me sabotar.

Criar pequenas recompensas

Às vezes eu sinto vontade de fazer outra coisa ou simplesmente, parar e comer chocolate. Então eu penso que para merecer aquele descanso ou aquele chocolate, eu preciso escrever pelo menos 1000 palavras ou escrever por pelo menos uma hora. (Eu sei que parece meio infantil, mas lembre-se que fomos treinados dessa forma desde que nascemos, então faz sentido). Após eu escrever meu texto ou cumprir determinado tempo, eu recebo minha recompensa.

Criar intervalos

Eu divido o tempo entre trabalho e prazer. Além do intervalo funcionar como recompensa, temos outro truque que é a quebra da tarefa. Muitas vezes acreditamos que a tarefa será muito trabalhosa e já desistimos dela, apenas por vislumbrar um desafio muito grande que achamos que não iremos conseguir. Por exemplo: escrever por duas horas no dia. Começamos a achar que não vamos conseguir trabalhar por duas horas seguidas e seremos interrompidos, então nem vale a pena começar, etc, etc. Mas então, quando fracionamos esse tempo em 4 blocos de meia hora, com intervalos de lazer entre eles, fazemos tudo mais facilmente.

Pequenas doses, grandes mudanças

Para os momentos de maior grau de procrastinação, eu engano o meu cérebro com pequenas doses. Pense assim: “vou fazer apenas por cinco minutos”. E faça apenas por cinco minutos. Se você sentir vontade de parar depois do cinco minutos, pare. Mais tarde, faça apenas mais cinco minutos, novamente. Mas caso você sinta vontade de continuar, continue. Você vai perceber que, em muitos casos, o problema era começar. Uma vez que você já colocou seu corpo e sua mente naquele trabalho, você acaba embalando e não para (lei da inércia). Essa tática do “apenas 5 minutos” é uma grande forma de começar a criar hábito, que é o truque mais importante.

CRIE HÁBITOS

Hábito é o mais importante para a produtividade. Não tente apenas fazer uma vez, esperar uns dias, fazer de novo. Tente começar uma rotina diária. Mesmo que seja uma sessão de 5 minutos por dia, faça todos os dias, por pelo menos 3 semanas. Um hábito é criado após 21 dias de repetição. Então, não desista nesses primeiros dias. Eles são importantes para criar uma rotina. Você vai perceber que, depois de criada a rotina, fica mais fácil melhorá-la ou criar uma nova.

Leituras 2016 – #4 – Mona Lisa Overdrive

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Terminei de ler a Trilogia Sprawl, do William Gibson.

Já falei um pouco sobre o autor, a trilogia e a importância para o gênero nesse post aqui quando escrevi sobre o Count Zero.

Mona Lisa Overdrive é o terceiro e último livro e se passa quinze anos após os acontecimentos do Neuromancer e oito anos depois do Count Zero. Ele tem uma relação muito mais direta com os outros dois livros e explora conceitos bem legais, misturando inteligências artificias com divindades, fantasmas e Alef.

No Mona Lisa Overdriver, Bobby Newmark, o Count Zero, está vivendo dentro da Matrix e o corpo dele (que está em uma espécie de coma) está sendo mantido por outras pessoas.

A Molly Millions também reaparece, usando um outro nome. A Angie, que é menina com implantes no cérebro do segundo livro, também faz parte da história e agora ela é uma atriz, celebridade na Simstim.

Mais uma vez, Gibson usa narrativas paralelas para construir o plot do seu livro.

Em uma delas, a filha de um chefão da Yakuza é mandada para Londres para evitar os riscos da guerra entre as máfias japonesas e ela acaba se envolvendo com Molly Millions.

A personagem que dá título a obra encabeça outra narrativa. Mona é uma prostituta que se parece fisicamente com Angie e acaba sendo usada em um plano para sequestrar a estrela da Sense/Net.

E em uma terceira narrativa, temos Slick Henry, que trabalha em uma espécie de ferro velho de máquinas e robôs e acaba sendo envolvido na manutenção do corpo de Count Zero.

A verdade é que se eu não tivesse ganho o box com a trilogia completa, talvez eu nunca tivesse lido esse livro.

Como falei antes, Neuromancer é um livro de difícil leitura, complexo na hora de entender algumas descrições e ruim de manter o foco. O segundo livro, Count Zero, é um pouco mais tranquilo de ler, mas, mesmo assim, não flui tão bem, deixando o leitor meio perdido.

Mas, na minha opinião, Mona Lisa Overdrive é o melhor livro da trilogia. A impressão que eu tenho é que William Gibson foi deixando a coisa cada vez mais cinematográfica, usando uma linguagem mais simples e direta para ambientar cenas e focando na relação dos personagens e nas ideias malucas. Achei as ideias explorando o cyberspaço ou Matrix ainda mais criativas nesse livro.

Acho que o autor se soltou mais e pôde criar algo melhor e mais acessível, mas ainda sim sem cair em clichês ou deixar sua obra menos marcante.

Sem dúvida, eu iria me arrepender se eu tivesse parado no Neuromancer.

Leituras 2016 – #3 – Cidade de Vidro

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Eu mantenho sempre uma lista de próximos livros que quero ler. Não necessariamente uma ordem fixa, mas coloco sempre algumas prioridades, seja por causa do gênero, do estilo, do ponto de vista ou do autor.

De vez em quando, eu acabo descobrindo algum livro interessante e acabo lendo antes de muitos outros que estão esperando sua vez.

Foi o que aconteceu com o livro Cidade de Vidro.

Eu descobri o livro de Paul Auster por acaso, lendo uma matéria sobre trilogias que me deixou muito curioso.

Paul Auster escreve histórias policiais, mas usando um estilo pós-moderno, repleto de absurdos, coincidências e adora uma metalinguagem, que deixa tudo ainda mais maluco ainda.

Cidade de Vidro é a primeira história que forma “A Trilogia de Nova York” e conta a história de Daniel Quinn, que também é um escritor de histórias policiais e recebe uma ligação por engano. A pessoa do outro lado da linha procura por um detetive particular. E aqui começa a doidera. O detetive particular se chama: Paul Auster.

E as maluquices não param mais. Não só na história, mas na própria construção da narrativa.

Paul Auster deu o seu nome para o personagem do livro, mas o livro não é em primeira pessoa, ou seja, não é narrado por esse Paul Auster, detetive particular.

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Daniel Quinn, o personagem principal, também escreve livros policiais e decide fingir que é Paul Auster, o detetive particular, para sentir na pele o que sempre escreveu.

O protagonista então começa a investigar uma trama enlouquecida da busca de um homem pelo paraíso, Torre de Babel, linguagem primal, etc. Essa parte da história é narrada usando muita a técnica de exposição. E tanto por esse estilo como pelo conteúdo, me lembrou muito as histórias de Borges, Lovecraft e Poe. Uma história misteriosa e intrigante, que ele vai tomando conhecimento por livros que ele pesquisa na biblioteca. Essa parte do mistério poderia render muito mais, mas Auster optou por apenas usar isso como um pano de fundo para toda a trama.

Para mim, o mais interessante do livro é que Paul Auster se prende a nenhum formato pré-definido, ficando até difícil de cataloga-lo como livro de mistério. Além disso, a questão de identidade é um tema que ele explora bem, desde a questão do personagem se passar por outra pessoa, depois descobrir que essa outra pessoa é diferente do que ele pensa e ainda tem relação com ele próprio (não vou dar spoiler).

Por tudo isso, Cidade de Vidro é denso e complexo, apesar de curto. É um livro que nos faz querer cada vez mais abandonar a preocupação com formas, explorar temas intrigantes, produzindo algo realmente autêntico, mesmo não agradando a todos. E, principalmente, nos dá uma lição em como evitar os clichês dos gêneros literários.

Neuromancer x Blade Runner – A determinação de William Gibson me motiva

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Estou lendo a Trilogia Sprawl, de William Gibson, e escrevi meu último post sobre a leitura de Count Zero, o segundo livro da série.

Para escrever esse post, eu consultei algumas informações sobre o autor e sua obra. E uma informação me chamou a atenção.

Em 1982, William Gibson recebeu a encomenda de escrever um livro para uma série de ficção científica. Quando ele tinha escrito dois terços do que viria a ser o Neurmonancer, seu primeiro livro, William Gibson assistiu ao filme Blade Runner e ficou preocupado.

Gibson achou que seu livro ia ser um fracasso, porque todo mundo iria achar que ele copiou todo o visual e clima do filme de Ridley Scott, baseado em um livro de Philip K. Dick, outro grande autor de ficção científica.

Por causa disso, William Gibson reescreveu 12 vezes esses dois terços do livro e mesmo assim ainda achava que iria passar vergonha quando o livro fosse lançado.

Essa curiosidade me fez relembrar que as pessoas às vezes acham que os grandes autores escreveram suas obras de primeira e que eles nunca passaram por momentos de descrença em seu próprio trabalho.

Além disso, percebemos sempre que um autor precisa ter a determinação e o desapego necessário para poder reescrever, reescrever e reescrever. Esse processo é difícil, penoso e desgastante, mas fundamental.

No momento, estou no meio do processo de reescrever um livro e para mim sempre é muito complicado. Mas saber que William Gibson precisou reescrever 12 vezes o Neuromancer me dá um pouco mais de motivação para continuar trabalhando na minha história.

Leituras 2016 – #2 – Count Zero

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William Gibson é um autor bastante cultuado. E o principal motivo é o fato dele ter criado o gênero cyberpunk. Além disso, Gibson criou, ainda na década de 80, vários termos usados em ficção científica que mais tarde foram utilizados de verdade. Foi ele, por exemplo, que criou o termo “cyberspace”. Também criou a ideia da Matrix, que consiste em mundo virtual acessado por hackers, que ele chamava de cowboys.

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Tudo isso começou com um conto chamado “Burning Chrome” (que eu não li), mas que conta a história de dois hackers que querem impressionar uma garota. Em seguida veio o conto “Johnny Minemonic” (esse eu li na década de noventa na época que foi lançado o filme com Keanu Reeves), que conta a história de um cara que foi modificado cirurgicamente e recebeu uma unidade de memória em sua cabeça e ele trabalha guardando informações sigilosas para pessoas e grandes corporações que não podem mais confiar no cyberspaço.

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Em “Burning Chrome”, Gibson criou o Sprawl, uma megacidade que vai de Boston a Atlanta. Em “Johnny Minemonic”, Gibson nos apresenta a personagem Molly Millions.

 

Esses dois elementos são a base inicial para a Trilogia Sprawl, composta de três livros:

 

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Count Zero

Mona Lisa Overdrive

No final do ano passado eu li o Neuromancer e, agora, eu li o Count Zero.

Count Zero se passa 7 anos depois de Neuromancer, mas não tem uma ligação muito direta com os personagens e nem uma continuidade com a trama. Molly e Case, personagens centrais de Neuromancer são apenas citados em um momento do livro.

O tema central do livro gira em torno inteligências artificiais vivendo dentro da Matrix e são consideradas, às vezes, como deuses. É composto de três narrativas que apenas se encontram apenas na parte final do livro.

A primeira delas conta a história do Count Zero, apelido de Bobby Newmark, um hacker sem experiência, que testa um programa ilegal (uma espécie de droga virtual) que é dado a ele para acessar a Matrix. Count Zero quase morre, mas é salvo por uma imagem de uma moça que aparece para ele no cyberspaço.

A segunda conta a história de Turner, um mercenário que foi contratado para retirar um cientista de uma grande corporação. No mundo criado por Gibson, os empregados de uma empresa não podem mudar para uma empresa rival, ao menos que sejam resgatados por um mercenário. Turner acaba não conseguindo resgatar o cientista, mas sim a filha dele, que tem a capacidade de acessar a Matrix sem fazer uso de equipamento.

A terceira linha narrativa conta a história de Marly, uma especialista em arte e dona de galeria que é procurada por um homem chamado Virek para encontrar para ele o fabricante de umas pequenas caixas que estão relacionadas com biosoft.

 

Minhas impressões como leitor e escritor:

É fantástico ver como William Gibson criou toda essa linguagem em uma época onde não se tinha nenhuma referência sobre computação e redes como temos hoje. Além disso, ele criou um gênero totalmente novo, o cyberpunk e ditou a linguagem que muitos usam até o momento. A capacidade criativa dele deve ser respeitada por isso.

Porém, na minha opinião, a leitura é bem complexa. Eu achei o Count Zero um pouco mais fácil de ler e acompanhar do que o Neuromancer, apesar da quebra entre as três narrativas acabar contribuindo ainda mais para o entendimento.

Acho que Wiliam Gibson coloca muita informação nova de uma única vez e não contribui com descrições. Muitas vezes eu fiquei perdido, tentando entender onde os personagens estavam em determinada cena.

Count Zero é um daqueles livros que algumas vezes você tem que voltar algumas páginas para retomar o entendimento ou se situar novamente. Gibson não se preocupa muito em explicar detalhes sobre o universo criado por ele. Com o tempo é que as coisas passam a fazer mais sentido.

Eu não gosto quando em livros de ficção científica o autor faz grandes intervalos explicativos, tentando deixar claro para nós algo do universo criado, sendo que os personagens já estão familiarizados com isso. Mas Gibson não se preocupa em explicar quase nada dos novos termos que ele criou ou sobre como funciona as coisas no Sprawl. Até mesmo por isso os livros lançados pela editora Aleph vem com um glossário no final, explicando alguns termos e alguns conceitos.

Apesar de tudo isso, continua valendo muito a pena ler esse livro e a trilogia em si.

Mais uma vez, reforço que as coisas que William Gibson criou são fantásticas. Uma mente brilhante que é capaz de te surpreender, mesmo que você já tenha lido ou visto muito filme de ficção científica.

 

Gestão de Tempo vs. Procrastinação – 3 passos para produzir mais

ampulhetaEu tento escrever sempre, mas confesso que é um grande esforço me convencer a escrever no pouco tempo que tenho.

Meu cérebro simplesmente inventa qualquer tipo de desculpa para não escrever.

Refletindo sobre como isso acontece na minha cabeça, percebi que muito está relacionado com a minha percepção sobre o tempo. E, analisando especificamente o problema, identifiquei três motivos que me fazem desistir de fazer qualquer coisa.

 

– Nos acostumamos a blocos de tempo

Desde o momento que começamos a ter tarefas e horários para cumpri-las, nos acostumamos a certas quantidades de tempo.

Isso começa quando vamos para a escola e passamos a ter horário para começar e terminar nossas atividades. Geralmente, temos uma hora para cada aula e um intervalo. No trabalho, também vamos nos acostumando com horário para entrar, sair e cumprir certas obrigações.

A nossa vida deixa de ser contínua e passa ser fracionada. E, além disso, começamos a perceber os intervalos. Basta lembrar que quando faltava quinze minutos para terminar a aula, a professora já começava a olhar no relógio e deixar as coisas para o dia seguinte. No trabalho, aquele tempo antes de sair para o almoço e antes de encerrar o expediente passa a ser uma descompressão necessária.

A questão é começamos a nos preocupar sempre com o intervalo entre os blocos de tempo e acabamos desperdiçando minutos preciosos deixando de realizar tarefas.

 

– Não temos noção do tempo para realizar tarefas

Quanto você leva para arrumar seu quarto? Quanto tempo para lavar uma louça? Quanto tempo para escrever um e-mail?

Quando pensamos nessas atividades, geralmente atribuímos muito mais tempo do que é realmente necessário.

Quando eu penso que para escrever, ou fazer qualquer outra atividade, eu preciso criar uma janela de tempo grande na minha rotina, começo a limitar as minhas possibilidades.

 

– Nossa mente é programada para desistir

Ao pensar que precisamos de mais tempo do que o necessário e pensando em blocos de tempo de uma hora, damos motivos suficientes para o nosso cérebro achar que não é o momento de começar.

“Você não vai conseguir terminar em uma hora, então nem comece”, “espere para fazer quando tiver mais tempo”, “agora já está tarde, amanhã você pode começar mais cedo”, etc.

 

Depois de entender um pouco como a minha cabeça de procrastinador funciona (na maior parte do tempo), eu descobri algumas formas de enganá-la e defini 3 simples passos (mais um bônus):

 

1 – Valorize blocos de tempos menores

Eu comecei a pensar no meu dia em blocos de 15 minutos e não mais em horas. Acho que poderia ser 5 ou 10 ou 30, mas os 15 minutos é um tempo satisfatório para a maioria das atividades. (Semelhante à Técnica Pomodoro)

Para escrever, eu sempre achei que quinze minutos não me ajudariam em nada, mas no final das contas, rende muito. E se você pensar naqueles minutos de intervalo entre certas atividades, fica mais fácil conseguir encaixar um bloco de 15 minutos nesses momentos.

Eu, por exemplo, tenho o hábito de acordar cedo e, muitas vezes, estou na frente do computador antes das 9 da manhã. Antigamente, se eu abrisse o computador e já tivesse passado das 8h, eu apenas ficava matando tempo online, porque na minha cabeça, só valeria apena escrever se eu tivesse uma hora sobrando, no mínimo.

Agora, consigo encaixar pelo menos um bloco de 15 minutos antes de começar a trabalhar.

E claro que eu posso fazer dois ou três blocos seguidos, se tenho tempo, mas o importante é aceitar que 15 minutos são suficientes.

Lembre-se: melhor escrever 15 minutos sempre do que ficar esperando uma janela de uma ou duas horas em uma semana agitada.

 

2 – Perceba melhor o tempo

Comece a marcar o tempo para fazer as coisas. Perceba que você consegue fazer muita mais coisa que você imagina em um curto espaço de tempo.

Experimente meditar por 10 ou 15 minutos.

Essa é uma excelente forma de perceber o tempo e tirar proveito dele. Apenas sente e esvazie sua mente. Tente não pensar em nada durante fique tentando não pensar em nada durante o maior tempo que conseguir. Você irá perceber que dez minutos é muito tempo e, além disso, irá ver que a meditação é uma forma fantástica de eliminar a ansiedade, que é outro alimento que sua mente usa para criar desculpas para não fazer as coisas.

 

3 – Inclua momentos de recompensa

Uma forma de conseguir cumprir seus objetivos é receber prêmios por ter alcançado suas metas, portanto, inclua nos seus blocos de tempo algumas recompensas.

Por exemplo, desligue suas redes sociais e faça um trato de que só irá acessar novamente depois de cumprir mais um bloco de tempo.

Qualquer recompensa vale. São estímulos para fazer você mudar seu hábito e passar a encarar as suas atividades de uma forma mais natural. Depois de um tempo, os estímulos não serão mais tão necessários.

 

Bônus: atinja o objetivo o quanto antes

Uma coisa que motiva é o sentimento de dever cumprido. Quando você se coloca o desafio de fazer algo por pelo menos 15 minutos por dia, logo que você cumpre sua meta, você se sente muito mais confiante e poderoso.

A partir desse momento você encara tudo com mais coragem, animação e tranquilidade, afinal, o que tinha de ser feito já foi feito.

Portanto, para tirar o máximo proveito, tente cumprir seu objetivo o mais cedo possível. Fazendo isso, você garante uma sensação melhor durante todo o dia, mesmo que você não faça mais nada.

Mas o sentimento de dever cumprido também tira a pressão da sua mente e lhe dá mais disposição para fazer mais atividades.

Eu acordo bem cedo e tento atingir minha meta diária o mais rápido possível. Assim o dia torna-se ainda mais produtivo. E nos dias em que eu não aproveito as primeiras horas para cumprir minha meta, meu cérebro começa a entrar em modo de procrastinação e o dia acaba sendo ruim.

 

Para mim tem funcionado e espero que ajude quem tem problemas como eu para arrumar tempo e me motivar a escrever.

Leituras 2016 – #1 – A 5ª Onda

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Resumo

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Quinta Onda, do Rick Yancey, é um livro para adolescentes (Young Adults) e conta a história de Cassie Sullivan, uma menina de 16 anos que está tentando sobreviver a uma invasão alienígena. Os alienígenas chegaram e causaram ondas de ataque para destruir a raça humana, ou grande parte dela. A primeira onda cortou toda a energia do mundo. A segunda foram tsunamis que eliminaram grande parte da população. A terceira foi um vírus espalhado pelos pássaros. A quarta onda é a eliminação dos poucos adultos que sobraram. Na quinta onda, as crianças até quinze anos são usados para o objetivo final, então Cassie tenta reencontrar o seu irmão mais novo que foi levado para fazer parte da quinta onda.

 

Meus comentários como leitor:

O livro é narrado pela protagonista, Cassie, mas também pelo garoto que ela gostava na escola, Ben, e por Evan, um outro garoto que ela encontra durantes busca pelo irmão.

No início, a narrativa de Cassie é divertida, na forma de textos que ela escreve em cadernos que ela leva com ela, como se fosse um diário. No início me fez pensar no livro como uma mistura de “Zumbilândia” com “A estrada”. Mas logo depois a ideia do registro em diários não existe mais e a narrativa perde um pouco a graça.

A história é interessante, com uma trama cativante, mas na minha opinião a relação toda com a chegada dos alienígenas poderia ser melhor explorada. E as partes de romance adolescente acabam ficando gratuitas e sem muito aprofundamento. A relação dos personagens e suas decisões acabam não fazendo muito sentido em se tratando de personagens adolescentes. Às vezes pensam como adolescente, mas agem como adultos, e vice-versa.

Eu costumo ler ficção científica disposto a aceitar a nova realidade criada pelo autor, mas nesse caso fiquei sempre com um questionamento no fundo da cabeça: porque ter cinco ondas? Pelo menos para mim não ficou bem clara a necessidade de ter sido dessa forma. Talvez apenas o autor quis achar uma forma de explicar porque deixaram as crianças, mas mesmo assim não ficou bem claro.

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Meus comentários como escritor:

Apesar do autor escrever para adolescentes, o livro me pareceu forçado para esse público. A impressão que eu tive foi que ele escreveu a história e depois adaptou para esse público. Se você pensar que os personagens são adultos, o livro funciona da mesma forma. Inclusive a narrativa de Cassie várias vezes soa como uma pessoa adulta. Eu gosto de literatura juvenil, mas principalmente quando existe um motivo para a história ser contada por um adolescente e onde os problemas da adolescência afetam a trama, mas nesse caso simplesmente não vi necessidade.

Outro ponto negativo foram alguns clichês muito marcantes, principalmente na hora de caracterizar esses adolescentes. A menina que tem uma paixão platônica na escola. O garoto que é o jogador de futebol que todas menina adoram.

O autor escolheu contar a história usando pontos de vista em primeira pessoa de alguns personagens. Isso deixou o livro bem interessante, principalmente quando, no final, as narrativas se encontram. Porém, em um capítulo, o uso da terceira pessoa me causou estranheza. Provavelmente a intenção foi criar um mistério sobre quem estava narrando aquela parte da história, mas poderia ter solucionado de outra forma, mesmo usando a primeira pessoa.

Além disso, algumas comparações e metáforas quebravam a narrativa. Parecia uma tentativa de colocar uma carga literária maior em certos momentos, mas que não combinaram com o restante do estilo. “Fragmentos de céu azul entre a copa das árvores, fios da luz do sol empalando a terra estremecida. O mundo desfeito adernado.” Empalando? Sério?

De um modo geral, me pareceu que o autor quis adequar a história a certas regras para garantir que a história funcionasse e acabou ficando um pouco menos natural em sua narrativa.