Mês: abril 2017

Os 6 passos do meu novo processo de escrita

Como eu falei no meu post anterior, durante a reescrita final do “Querendo Ser Elvis” eu comecei a pensar em mudar meu processo de escrita. Ou pelo menos testar um método diferente.

E resolvi já testar com o meu próximo livro, que estou escrevendo no momento.

O fato principal que levou a essa mudança foi notar que, depois que os capítulos estavam todos escritos (bem próximos da versão final), ficava mais difícil eu alterar alguma coisa. Isso acontece porque é difícil desapegar de algo que você julga que está pronto, mas também porque qualquer mudança que se faz nesse estágio gera uma série de ajustes em diferentes partes da estrutura do livro e até mesmo na história em si.

Percebi que seria melhor se eu tivesse feito uma análise da história, antes dela estar totalmente escrita. Mas, para isso, eu precisaria ter os detalhes da trama mais bem definidos. Ou seja, ter um planejamento ou um outline, que para mim é um problema porque eu não tenho o hábito de planejar meus livros. Meu processo normal é sair escrevendo para descobrir a história.

De qualquer forma, ainda estou em fase de experiência desse novo jeito de construir a história e só no futuro poderei dizer se valeu a pena.

Mas já vou detalhar um pouco os passos do processo:

1 – Criar o plot e desenvolver personagens

Nesse caso, eu já tinha um primeiro draft escrito, com aproximadamente 80 mil palavras. Escrevi ele no meu jeito antigo, ou seja, já com cara de livro, cheio de diálogos e descrições, etc.

Mas ele serviu basicamente para conhecer os personagens e saber como eles se desenvolvem na trama.

(Talvez no próximo livro eu não escreva um draft tão bem acabado já no início. Principalmente sabendo que vou jogar ele fora em seguida.)

2 – Análise da estrutura, dos personagens e do plot

No meu processo antigo, depois do primeiro draft, eu faria uma análise de cada capítulo e da história em geral (que estaria “quase pronta”) e reescreveria a partir dessas 80 mil palavras, aproveitando a sua maioria.

Mas agora eu passei a fazer diferente.

Fiz uma análise mais profunda e com mais desapego, me antecipando aos erros que eu poderia estar cometendo nessa história em relação a conflitos, caracterização de personagens, cenas, ritmo, ponto de vista, etc.

Depois, fiz uma lista do que eu gostava e sentia que estava funcionando na história, e fiz outra lista com as coisas que me incomodavam e que eu achava que estavam sobrando, ou estavam forçadas, ou não estavam agregando ao plot.

3 – Redefinição da história

Com base em toda a análise, redefini o plot, reavaliei os personagens e suas motivações, criei novos subplots, adequei ritmo, etc.

Nessa fase, anotei a essência de cada capítulo, escrevendo um parágrafo sobre cada um, explicando para mim mesmo o papel daquela cena no livro.

4 – Criar o outline (ou reescrever o outline)

Nesse ponto, abandonei totalmente as 80 mil palavras já escritas e comecei a escrever do zero, mas sem me preocupar ainda em formatar um texto final. Fui dando mais detalhes para cada capítulo, explicando como a cena irá se desenrolar, o que os personagens estarão vivendo naquela cena, o que estarão pensando e falando.

(Foi nesse momento, nesse caso específico, que me dei conta que eu estava, na verdade, escrevendo um outline ao invés de um draft. Era um outline bem detalhado, mas ainda assim era um outline.)

Essa outline ficou com quase 25 mil palavras. Na minha opinião esse já é um volume grande de palavras, com bastante detalhamento, mas ainda assim senti que alguns capítulos estavam superficiais e fui eliminando aqueles que não estavam acrescentando muito.

5 – Timeline com Pontos-Chave

Depois de criar esse outline mais detalhado, eu percebi alguns furos na história e algumas coisas que estavam faltando. Resolvi, então, montar uma tabela onde coloquei os 6 pontos fundamentais na cronologia da minha história. Listei os meus quatro personagens principais e mais uma meia dúzia de personagens secundários, que são fundamentais para contar a história. Assim, fui preenchendo a tabela, definindo como cada personagem se comporta e interage em cada momento da história, definindo suas mudanças e sua evolução.

6 – Outline final

Agora, pretendo reescrever tudo, ainda em formato de outline, mas planejando cada capítulo e cada cena com ainda mais detalhes, inserindo os elementos que incluí na timeline.

Minha ideia é só começar a dar um formato mais final para o texto quando estiver satisfeito com esse outline, já bem definido e com ainda mais detalhes.

 

Espero que esses novos passos me ajudem a ter um livro melhor. Mas se não der certo, também não tem problema. Revejo o processo e tento de outra forma.

 

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Novo Livro, Novos Aprendizados

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Acabei de publicar mais um livro.

E isso significa dizer que eu terminei de escrever um livro. Mas existe uma diferença muito grande entre as duas coisas.

Essa é a segunda vez que eu termino esse livro. Há alguns meses eu tinha dado como finalizado o “Querendo Ser Elvis” e estava apenas na dúvida se publicava ou não (isso já era um sinal de que eu não considerava o livro acabado). E isso estava me incomodando.

Por que eu não estava satisfeito?

Para mim é normal terminar de escrever um texto e achar que ele poderia ficar melhor. Faz parte do processo e principalmente do prazo que eu tenho para escrever. Mas, nesse caso específico, eu não tinha um prazo definido para lançar um livro. Só achava que já tinha passado muito tempo com essa história e não sabia direito o que melhorar.

Decidi então passar para algumas pessoas lerem e darem suas opiniões. E isso gerou um aprendizado enorme.

Os comentários e as críticas foram excelentes. Recebi feedbacks incríveis sobre personagens, dicas de como intensificar o plot e sugestões de como apresentar melhor a história toda, incluindo outras formas e outros pontos de vista.

Depois de analisar cada comentário, eu fiz uma lista de tudo que eu achava pertinente e possível de alterar. Foi então que aconteceu mais um grande aprendizado. Eu simplesmente tive que desapegar de certos aspectos, abandonando alguns detalhes da história e tive que criar novos detalhes, novos personagens, novas relações e novos conflitos.

Para se ter uma ideia, a história é sobre um vocalista e letrista de uma banda famosa, mas até a versão que eu tinha escrito, eu não mostrava nenhuma música da banda. Fazia algumas citações de nome de música e versos durante a história, mas nada muito elaborado. Então, durante o processo de reescrita eu resolvi criar uma dezena de músicas para a banda, e, com elas também tentei mostrar a evolução do personagem, justamente usando as letras que ele escrevia.

Das diversas lições que eu aprendi durante essa redefinição do “Querendo Ser Elvis”, a primeira delas foi entender que uma história só está pronta quando você está satisfeito com ela e, até isso acontecer, eu posso mudar o quanto eu quiser. E o maior desafio é encontrar motivação e paciência para dar uns passos atrás e refazer grande parte do que tinha feito, para depois seguir em frente com mais confiança.

Mas o resultado, acredito eu, ficou bem melhor. Valeu a pena.