Leituras 2016 – #2 – Count Zero

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William Gibson é um autor bastante cultuado. E o principal motivo é o fato dele ter criado o gênero cyberpunk. Além disso, Gibson criou, ainda na década de 80, vários termos usados em ficção científica que mais tarde foram utilizados de verdade. Foi ele, por exemplo, que criou o termo “cyberspace”. Também criou a ideia da Matrix, que consiste em mundo virtual acessado por hackers, que ele chamava de cowboys.

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Tudo isso começou com um conto chamado “Burning Chrome” (que eu não li), mas que conta a história de dois hackers que querem impressionar uma garota. Em seguida veio o conto “Johnny Minemonic” (esse eu li na década de noventa na época que foi lançado o filme com Keanu Reeves), que conta a história de um cara que foi modificado cirurgicamente e recebeu uma unidade de memória em sua cabeça e ele trabalha guardando informações sigilosas para pessoas e grandes corporações que não podem mais confiar no cyberspaço.

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Em “Burning Chrome”, Gibson criou o Sprawl, uma megacidade que vai de Boston a Atlanta. Em “Johnny Minemonic”, Gibson nos apresenta a personagem Molly Millions.

 

Esses dois elementos são a base inicial para a Trilogia Sprawl, composta de três livros:

 

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Neuromancer

Count Zero

Mona Lisa Overdrive

No final do ano passado eu li o Neuromancer e, agora, eu li o Count Zero.

Count Zero se passa 7 anos depois de Neuromancer, mas não tem uma ligação muito direta com os personagens e nem uma continuidade com a trama. Molly e Case, personagens centrais de Neuromancer são apenas citados em um momento do livro.

O tema central do livro gira em torno inteligências artificiais vivendo dentro da Matrix e são consideradas, às vezes, como deuses. É composto de três narrativas que apenas se encontram apenas na parte final do livro.

A primeira delas conta a história do Count Zero, apelido de Bobby Newmark, um hacker sem experiência, que testa um programa ilegal (uma espécie de droga virtual) que é dado a ele para acessar a Matrix. Count Zero quase morre, mas é salvo por uma imagem de uma moça que aparece para ele no cyberspaço.

A segunda conta a história de Turner, um mercenário que foi contratado para retirar um cientista de uma grande corporação. No mundo criado por Gibson, os empregados de uma empresa não podem mudar para uma empresa rival, ao menos que sejam resgatados por um mercenário. Turner acaba não conseguindo resgatar o cientista, mas sim a filha dele, que tem a capacidade de acessar a Matrix sem fazer uso de equipamento.

A terceira linha narrativa conta a história de Marly, uma especialista em arte e dona de galeria que é procurada por um homem chamado Virek para encontrar para ele o fabricante de umas pequenas caixas que estão relacionadas com biosoft.

 

Minhas impressões como leitor e escritor:

É fantástico ver como William Gibson criou toda essa linguagem em uma época onde não se tinha nenhuma referência sobre computação e redes como temos hoje. Além disso, ele criou um gênero totalmente novo, o cyberpunk e ditou a linguagem que muitos usam até o momento. A capacidade criativa dele deve ser respeitada por isso.

Porém, na minha opinião, a leitura é bem complexa. Eu achei o Count Zero um pouco mais fácil de ler e acompanhar do que o Neuromancer, apesar da quebra entre as três narrativas acabar contribuindo ainda mais para o entendimento.

Acho que Wiliam Gibson coloca muita informação nova de uma única vez e não contribui com descrições. Muitas vezes eu fiquei perdido, tentando entender onde os personagens estavam em determinada cena.

Count Zero é um daqueles livros que algumas vezes você tem que voltar algumas páginas para retomar o entendimento ou se situar novamente. Gibson não se preocupa muito em explicar detalhes sobre o universo criado por ele. Com o tempo é que as coisas passam a fazer mais sentido.

Eu não gosto quando em livros de ficção científica o autor faz grandes intervalos explicativos, tentando deixar claro para nós algo do universo criado, sendo que os personagens já estão familiarizados com isso. Mas Gibson não se preocupa em explicar quase nada dos novos termos que ele criou ou sobre como funciona as coisas no Sprawl. Até mesmo por isso os livros lançados pela editora Aleph vem com um glossário no final, explicando alguns termos e alguns conceitos.

Apesar de tudo isso, continua valendo muito a pena ler esse livro e a trilogia em si.

Mais uma vez, reforço que as coisas que William Gibson criou são fantásticas. Uma mente brilhante que é capaz de te surpreender, mesmo que você já tenha lido ou visto muito filme de ficção científica.

 

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