Gestão de Tempo vs. Procrastinação – 3 passos para produzir mais

ampulhetaEu tento escrever sempre, mas confesso que é um grande esforço me convencer a escrever no pouco tempo que tenho.

Meu cérebro simplesmente inventa qualquer tipo de desculpa para não escrever.

Refletindo sobre como isso acontece na minha cabeça, percebi que muito está relacionado com a minha percepção sobre o tempo. E, analisando especificamente o problema, identifiquei três motivos que me fazem desistir de fazer qualquer coisa.

 

– Nos acostumamos a blocos de tempo

Desde o momento que começamos a ter tarefas e horários para cumpri-las, nos acostumamos a certas quantidades de tempo.

Isso começa quando vamos para a escola e passamos a ter horário para começar e terminar nossas atividades. Geralmente, temos uma hora para cada aula e um intervalo. No trabalho, também vamos nos acostumando com horário para entrar, sair e cumprir certas obrigações.

A nossa vida deixa de ser contínua e passa ser fracionada. E, além disso, começamos a perceber os intervalos. Basta lembrar que quando faltava quinze minutos para terminar a aula, a professora já começava a olhar no relógio e deixar as coisas para o dia seguinte. No trabalho, aquele tempo antes de sair para o almoço e antes de encerrar o expediente passa a ser uma descompressão necessária.

A questão é começamos a nos preocupar sempre com o intervalo entre os blocos de tempo e acabamos desperdiçando minutos preciosos deixando de realizar tarefas.

 

– Não temos noção do tempo para realizar tarefas

Quanto você leva para arrumar seu quarto? Quanto tempo para lavar uma louça? Quanto tempo para escrever um e-mail?

Quando pensamos nessas atividades, geralmente atribuímos muito mais tempo do que é realmente necessário.

Quando eu penso que para escrever, ou fazer qualquer outra atividade, eu preciso criar uma janela de tempo grande na minha rotina, começo a limitar as minhas possibilidades.

 

– Nossa mente é programada para desistir

Ao pensar que precisamos de mais tempo do que o necessário e pensando em blocos de tempo de uma hora, damos motivos suficientes para o nosso cérebro achar que não é o momento de começar.

“Você não vai conseguir terminar em uma hora, então nem comece”, “espere para fazer quando tiver mais tempo”, “agora já está tarde, amanhã você pode começar mais cedo”, etc.

 

Depois de entender um pouco como a minha cabeça de procrastinador funciona (na maior parte do tempo), eu descobri algumas formas de enganá-la e defini 3 simples passos (mais um bônus):

 

1 – Valorize blocos de tempos menores

Eu comecei a pensar no meu dia em blocos de 15 minutos e não mais em horas. Acho que poderia ser 5 ou 10 ou 30, mas os 15 minutos é um tempo satisfatório para a maioria das atividades. (Semelhante à Técnica Pomodoro)

Para escrever, eu sempre achei que quinze minutos não me ajudariam em nada, mas no final das contas, rende muito. E se você pensar naqueles minutos de intervalo entre certas atividades, fica mais fácil conseguir encaixar um bloco de 15 minutos nesses momentos.

Eu, por exemplo, tenho o hábito de acordar cedo e, muitas vezes, estou na frente do computador antes das 9 da manhã. Antigamente, se eu abrisse o computador e já tivesse passado das 8h, eu apenas ficava matando tempo online, porque na minha cabeça, só valeria apena escrever se eu tivesse uma hora sobrando, no mínimo.

Agora, consigo encaixar pelo menos um bloco de 15 minutos antes de começar a trabalhar.

E claro que eu posso fazer dois ou três blocos seguidos, se tenho tempo, mas o importante é aceitar que 15 minutos são suficientes.

Lembre-se: melhor escrever 15 minutos sempre do que ficar esperando uma janela de uma ou duas horas em uma semana agitada.

 

2 – Perceba melhor o tempo

Comece a marcar o tempo para fazer as coisas. Perceba que você consegue fazer muita mais coisa que você imagina em um curto espaço de tempo.

Experimente meditar por 10 ou 15 minutos.

Essa é uma excelente forma de perceber o tempo e tirar proveito dele. Apenas sente e esvazie sua mente. Tente não pensar em nada durante fique tentando não pensar em nada durante o maior tempo que conseguir. Você irá perceber que dez minutos é muito tempo e, além disso, irá ver que a meditação é uma forma fantástica de eliminar a ansiedade, que é outro alimento que sua mente usa para criar desculpas para não fazer as coisas.

 

3 – Inclua momentos de recompensa

Uma forma de conseguir cumprir seus objetivos é receber prêmios por ter alcançado suas metas, portanto, inclua nos seus blocos de tempo algumas recompensas.

Por exemplo, desligue suas redes sociais e faça um trato de que só irá acessar novamente depois de cumprir mais um bloco de tempo.

Qualquer recompensa vale. São estímulos para fazer você mudar seu hábito e passar a encarar as suas atividades de uma forma mais natural. Depois de um tempo, os estímulos não serão mais tão necessários.

 

Bônus: atinja o objetivo o quanto antes

Uma coisa que motiva é o sentimento de dever cumprido. Quando você se coloca o desafio de fazer algo por pelo menos 15 minutos por dia, logo que você cumpre sua meta, você se sente muito mais confiante e poderoso.

A partir desse momento você encara tudo com mais coragem, animação e tranquilidade, afinal, o que tinha de ser feito já foi feito.

Portanto, para tirar o máximo proveito, tente cumprir seu objetivo o mais cedo possível. Fazendo isso, você garante uma sensação melhor durante todo o dia, mesmo que você não faça mais nada.

Mas o sentimento de dever cumprido também tira a pressão da sua mente e lhe dá mais disposição para fazer mais atividades.

Eu acordo bem cedo e tento atingir minha meta diária o mais rápido possível. Assim o dia torna-se ainda mais produtivo. E nos dias em que eu não aproveito as primeiras horas para cumprir minha meta, meu cérebro começa a entrar em modo de procrastinação e o dia acaba sendo ruim.

 

Para mim tem funcionado e espero que ajude quem tem problemas como eu para arrumar tempo e me motivar a escrever.

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Leituras 2016 – #1 – A 5ª Onda

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Resumo

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Quinta Onda, do Rick Yancey, é um livro para adolescentes (Young Adults) e conta a história de Cassie Sullivan, uma menina de 16 anos que está tentando sobreviver a uma invasão alienígena. Os alienígenas chegaram e causaram ondas de ataque para destruir a raça humana, ou grande parte dela. A primeira onda cortou toda a energia do mundo. A segunda foram tsunamis que eliminaram grande parte da população. A terceira foi um vírus espalhado pelos pássaros. A quarta onda é a eliminação dos poucos adultos que sobraram. Na quinta onda, as crianças até quinze anos são usados para o objetivo final, então Cassie tenta reencontrar o seu irmão mais novo que foi levado para fazer parte da quinta onda.

 

Meus comentários como leitor:

O livro é narrado pela protagonista, Cassie, mas também pelo garoto que ela gostava na escola, Ben, e por Evan, um outro garoto que ela encontra durantes busca pelo irmão.

No início, a narrativa de Cassie é divertida, na forma de textos que ela escreve em cadernos que ela leva com ela, como se fosse um diário. No início me fez pensar no livro como uma mistura de “Zumbilândia” com “A estrada”. Mas logo depois a ideia do registro em diários não existe mais e a narrativa perde um pouco a graça.

A história é interessante, com uma trama cativante, mas na minha opinião a relação toda com a chegada dos alienígenas poderia ser melhor explorada. E as partes de romance adolescente acabam ficando gratuitas e sem muito aprofundamento. A relação dos personagens e suas decisões acabam não fazendo muito sentido em se tratando de personagens adolescentes. Às vezes pensam como adolescente, mas agem como adultos, e vice-versa.

Eu costumo ler ficção científica disposto a aceitar a nova realidade criada pelo autor, mas nesse caso fiquei sempre com um questionamento no fundo da cabeça: porque ter cinco ondas? Pelo menos para mim não ficou bem clara a necessidade de ter sido dessa forma. Talvez apenas o autor quis achar uma forma de explicar porque deixaram as crianças, mas mesmo assim não ficou bem claro.

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Meus comentários como escritor:

Apesar do autor escrever para adolescentes, o livro me pareceu forçado para esse público. A impressão que eu tive foi que ele escreveu a história e depois adaptou para esse público. Se você pensar que os personagens são adultos, o livro funciona da mesma forma. Inclusive a narrativa de Cassie várias vezes soa como uma pessoa adulta. Eu gosto de literatura juvenil, mas principalmente quando existe um motivo para a história ser contada por um adolescente e onde os problemas da adolescência afetam a trama, mas nesse caso simplesmente não vi necessidade.

Outro ponto negativo foram alguns clichês muito marcantes, principalmente na hora de caracterizar esses adolescentes. A menina que tem uma paixão platônica na escola. O garoto que é o jogador de futebol que todas menina adoram.

O autor escolheu contar a história usando pontos de vista em primeira pessoa de alguns personagens. Isso deixou o livro bem interessante, principalmente quando, no final, as narrativas se encontram. Porém, em um capítulo, o uso da terceira pessoa me causou estranheza. Provavelmente a intenção foi criar um mistério sobre quem estava narrando aquela parte da história, mas poderia ter solucionado de outra forma, mesmo usando a primeira pessoa.

Além disso, algumas comparações e metáforas quebravam a narrativa. Parecia uma tentativa de colocar uma carga literária maior em certos momentos, mas que não combinaram com o restante do estilo. “Fragmentos de céu azul entre a copa das árvores, fios da luz do sol empalando a terra estremecida. O mundo desfeito adernado.” Empalando? Sério?

De um modo geral, me pareceu que o autor quis adequar a história a certas regras para garantir que a história funcionasse e acabou ficando um pouco menos natural em sua narrativa.