Novo Livro Lançado

capa

Meu novo livro já está disponível na Amazon.

Dessa vez é um livro de contos que eu escrevi usando músicas como inspiração. Cada letra de música serviu de base ou ponta-pé inicial para a criação da história, do cenário e dos personagens.

Abaixo, o prefácio do livro, que conta um pouco como essa ideia nasceu.

 

“A ideia para escrever estes contos nasceu há muito tempo. Mais precisamente, em 1996.

Não a ideia de cada um, mas a ideia de escrever histórias inspiradas em músicas.

Desde aquela época eu já tentava escrever. Tinha muita vontade de escrever, mas sempre esbarrava na dúvida: escrever o quê?

Eu já tinha me decidido a escrever apenas contos na minha vida. Eu gostava muito dos contos do Stephen King, do Ray Bradbury e do Jorge Luis Borges e já tinha escrito alguns também. Naquele momento, tinha decidido escrever contos pelo motivo ingênuo de achar mais fácil, pensando que não exigiria muito de mim.

Ok, eu era muito novo, não sabia muita coisa sobre escrever. Perdia muito mais tempo com essas preocupações do que realmente escrevendo, que era o que eu deveria realmente fazer.

Então, eu sabia que queria escrever contos, mas eu não conseguia pensar em nada para escrever. Na verdade, eu pensava, mas descartava achando que não seria uma boa ideia.

Mais uma vez era a juventude e a inexperiência falando mais alto e me impedindo de simplesmente escrever. Ficava pensando mais em como era difícil ter ideias do que colocá-las no papel.

De onde eu tiraria as ideias? E como eu saberia que ideia realmente merecia ser escrita?

Um dia, eu estava ouvindo o CD “Let’s Go”, do Rancid, mais especificamente a música St. Mary, e a letra da música fez brotar uma imagem na minha cabeça. O refrão dizia: “Now Mary is at the door with a loaded forty–four in her hand. Shooting down the law that shot down her dear departed man.” Eu me lembro de ter ficado pensando durante dias nessa cena. Era uma cena forte, mas a letra da música não dava maiores indicações do que acontecia depois com essa tal Mary. E nem deixava claro o que levou ela a estar nessa situação.

Naquele momento, pensei: “eu posso escrever uma história inspirada nessa música”. Eu poderia criar uma história por trás dessa letra, uma cena que representasse a ideia por trás da letra da música. Em seguida, já pensei no projeto todo. Eu poderia pegar outras músicas, para escrever outros contos. Assim, eu sempre teria de onde tirar ideias e juntaria vários contos, interligados de alguma forma.

Mais uma vez, era eu pensando mais do que escrevendo. Mas não percebi isso naquele momento.

Sentei para escrever e, novamente, minha inexperiência me derrubou. Tentei começar várias vezes, mas nada parecia tão forte quanto aquele refrão. Não parecia que iria sair uma história interessante dali.

Depois de algumas tentativas frustradas, sempre achando que o primeiro parágrafo não estava perfeito, do jeito que deveria ser, desisti.

E esqueci daquele projeto por um bom tempo.

Em 2002, conversando com o meu irmão sobre praticar mais a escrita e produzir mais coisas como forma de exercício, acho que mencionei alguma coisa sobre a vontade de escrever histórias baseadas em músicas, ou foi ele quem falou algo do gênero e eu me lembrei da minha experiência frustrada em 1996.

Concordamos que seria interessante experimentarmos e criamos uma forma de desafio entre nós dois. Escolhemos o disco London Calling, do The Clash, e combinamos que cada um iria escrever um conto inspirado em uma música, na ordem do disco, de forma alternada. A cada semana, um entregaria um conto finalizado para o outro ler e criticar.

Não fizemos o disco inteiro e, infelizmente, não guardei aqueles contos, mas lembro que eu comecei escrevendo a primeira história. Era uma ficção científica sobre uma base espacial chamada London, que ficava na órbita da Terra. Pessoas eram convocadas para irem viver nessa London.

As histórias que escrevi naquela época eram semelhantes, em sua essência, às que estão neste livro. A maioria era fantasia, terror ou ficção científica, sempre influenciada pelos meus autores de fantasia preferidos.

Em 2014, quando estava pensando seriamente em publicar meus livros e estava no processo de reescrevê–los e editá-los, comecei a me sentir frustrado por não ter nenhuma história finalizada. Não conseguia ver nada pronto e isso estava me incomodando. Não conseguia sentir que eu era capaz de terminar algo e dar por finalizada uma história. Além disso, já estava tempo demais em cima de duas ou três histórias e precisava me afastar um pouco delas. Decidi que precisava criar outras coisas, nem que fossem apenas como exercício, para aprender um pouco mais sobre reescrever, revisar e editar histórias. Quando pensei em exercício, lembrei da ideia inicial do projeto que eu tinha tido em 1996.

E foi assim que comecei a escrever os contos que agora fazem parte deste livro. Mais como brincadeira e treinamento do que para publicá-los.

A ordem em que eles foram escritos não foi exatamente essa. Tentei colocar eles em uma ordem que satisfizesse minha relação com as músicas que serviram de inspiração.

Apesar de ter sido o pontapé inicial da ideia, o conto inspirado na música do Rancid, que abre o livro, não foi o primeiro a ser escrito e nem considero o que eu mais gosto. Mas como teve um significado importante, resolvi usá-lo como título da obra.

Não preciso nem dizer que as músicas foram escolhidas baseadas no meu gosto pessoal, seja a música em si ou a banda ou artista que a compôs.  E o segundo critério, ainda mais importante, foi buscar alguma coisa na letra que me inspirasse e me motivasse a escrever um conto sobre ela. Vale lembrar que não são, necessariamente, as minhas músicas preferidas destas bandas e nem todas as minhas bandas favoritas estão representadas aqui. Quem sabe um dia escrevo contos para homenagear todas elas.

Todos os contos são curtos, com o objetivo de serem consumidos de uma forma mais rápida mesmo, da mesma forma como se consome música. Parte da ideia original do projeto era fazer a literatura ser mais acessível como a música é.

O mais legal é que você não precisa conhecer a letra e nem ouvir a música antes de ler o conto, mas, muitas vezes, é interessante observar como algum detalhe da música ou da banda foram inseridos na história. Infelizmente, por questões de direitos autorais, não posso reproduzir as letras no livro. Mas, para ajudar a esclarecer algumas dessas inspirações, incluí depois de cada conto uma nota, explicando em que parte da letra me inspirei para ter a ideia da história e algumas outras curiosidades do processo criativo destes contos.

Leia, ouça e divirta-se.”

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