Mês: maio 2015

Fórmula ou Método para escrever

Diagrama da Jornada do Herói

Recentemente eu estava lendo vários textos sobre a Jornada do Herói e a estrutura em três atos. Como essa matéria aqui, de onde eu tirei esse diagrama do post.

Mas, ontem, eu comecei a ler um livro em que o autor defende que a estrutura em 3 atos é uma fórmula e, como toda boa fórmula, produz sempre o mesmo resultado. O autor então defende o uso de um método, que ele criou.

O método é interessante, pois coloca uma atenção não apenas no protagonista, mas também nos cenários, nos objetos, nas simbologias, nas tramas secundárias e também nos personagens coadjuvantes.

Ainda não terminei de ver todo o método, mas me parece interessante. Mesmo que não use da forma que está descrito no livro, com certeza vale como referência para construir histórias melhores.

O Terror e as Pessoas

livros

Fazia muito tempo que eu não lia terror, mas os dois últimos livros que eu li foram justamente desse gênero e são muito bons.

O primeiro deles foi o “Mortos Entre Vivos”, do sueco John Ajvide Lindqvuist, que também escreveu “Deixe Ela Entrar”, livro que o consagrou e foi adaptado para o cinema duas vezes, na Suécia e nos EUA (qualquer um dos dois vale a pena assistir). Depois de explorar o tema vampiros no seu primeiro livro, Lindqvuist resolveu usar zumbis no seu segundo, mas claro que sempre de uma forma fora do convencional.

O segundo livro foi o “Caixa de Pássaros”, que é o primeiro livro do americano Josh Malerman, indicado ao Prêmio Bram Stoker de melhor livro de estreia. O livro explora o pavor de ter um “monstro” que não ataca fisicamente, mas faz as pessoas enlouquecerem quando olham para “ele”.

Os dois livros trazem formas bem diferentes de se trabalhar o gênero do terror. No primeiro, os zumbis não estão atrás das pessoas. O que vemos no livro é como as pessoas lidam com o absurdo dos mortos simplesmente acordarem. E no segundo, o interessante é ver como elas lidam com um “vírus” ou “uma contaminação” que acontece através da visão e como precisam se adaptar para sobreviver.

Os dois livros apresentam um mundo distópico, onde a realidade foi alterada de uma forma drástica. Mas o mais interessante é observar a escolha dos autores em como apresentar esse mundo, através da vida de protagonistas bem interessantes.

Imagine que um belo dia os mortos da sua cidade começam a acordar. As pessoas serão impactadas de diferentes formas por essa nova realidade. E você pode escolher diferentes formas de mostrar isso, acompanhando a vida de uma pessoa ou de outra. No caso de Lindqvist, ele escolhe três pessoas totalmente diferentes que acabaram de ter suas vidas alteradas pelos mortos que voltaram à vida. E o mais interessante é ver esse cotidiano sendo alterado, a reação de cada um, e não os zumbis em si.

No outro caso, temos alguma coisa nova no nosso mundo, que ninguém sabe direito o que é, mas que está fazendo as pessoas se matarem quando elas olham para ela. As pessoas têm que ficar de olhos fechados se querem continuar vivas. Todo o mundo tem sua vida alterada por essa nova realidade e Malerman escolheu mostrar esse mundo através da luta de uma mulher, com dois filhos pequenos, tentando sobreviver e escapar dessa nova realidade.

A questão é: por mais que se criem mundos mirabolantes, distópicos, místicos ou fantasiosos, o interessante é ver como as pessoas lidam com isso. E esses dois livros fazem isso muito bem. Recomendo.