O único jeito de começar

Jodi Picoult

Você pode ler sobre como escrever, estudar escrita, falar em escrever, pensar em escrever, mas só tem um jeito de escrever: escrevendo.

Parece uma afirmação idiota, mas não é.

Por muito tempo eu fiz isso. Li, estudei, falei, pensei e planejei escrever. E toda vez que eu tentava escrever, achava que ainda não estava “pronto”, ou que tinha que esperar uma grande ideia aparecer.

Eu começava a escrever e já na segunda linha, voltava para analisar a primeira. Quase sempre chegando à mesma conclusão: “Isso não está bom.”

Tentava reescrever, mas desistia em seguida. Não conseguia encontrar a primeira frase perfeita, então não passava para a segunda e o texto morria.

Hoje, pelo menos, eu sei que a primeira frase não precisa ser perfeita. Nem ela, nem nenhuma outra. Não naquele momento. Aprendi que não devo me preocupar nessa fase da escrita.

A primeira linha que eu escrevo muito provavelmente nem estará na versão final. O primeiro parágrafo será bem diferente quando eu for reescrever o texto pela segunda, terceira ou quarta vez.

O maior bloqueio que um escritor pode ter é achar que as primeiras palavras que ele coloca no papel já têm que fazer sentido e serem algo incrível. O lado crítico entra em ação e insiste em dizer que não está bom.

O fato é que, no começo, não precisa mesmo estar bom. E isso é libertador.

Eu costumo chamar a primeira versão de um texto de “produção de matéria prima”. A analogia é simples. Um escultor não começa a fazer uma escultura sem sua matéria prima. Ele pega um bolo disforme de argila e começa a trabalhar, transformando em algo visualmente interessante. Ele faz e desfaz até chegar ao ponto que dá por finalizada sua obra.

A matéria prima do escritor não é uma página em branco e sim as palavras que ele coloca nela, mesmo que no começo elas não façam muito sentido e não tenham uma ideia totalmente definida. As páginas cheias de palavras são a argila. Podemos trocar palavras aqui, acrescentar algumas ali, remover frases inteiras, apagar adjetivos desnecessários, melhorar toda e qualquer estrutura. Podemos mexer e mexer até julgar que está pronto.

A grande magia de escrever é que nada é definitivo até ser impresso ou publicado. No momento que você entende isso, você se liberta.

Esse post é um bom exemplo disso.

Quando comecei a escrever, fiquei na dúvida se conseguiria (sempre começo com essa dúvida e acho que isso nunca vai mudar). Mesmo assim escrevi, porque sabia que eu voltaria algumas vezes e consertaria o que achasse necessário.

Ainda não acho que esteja perfeito, mas preciso começar esse blog. E um blog só se começa de um jeito: publicando o que se escreveu.

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